Wagner critica ‘autoritarismo’ das Big Techs após restrições da Meta

    Senador criticou o poder das grandes empresas de tecnologia durante entrevista sobre a reta final da campanha presidencial

    Foto: Camile Campos/ bahia.ba

    O senador Jaques Wagner (PT) criticou o poder das grandes empresas de tecnologia sobre o debate público e classificou como “autoritarismo das Big Techs” a influência das plataformas digitais sobre os países. A declaração foi feita nesta quarta-feira (21), durante evento que contou com a presença de Erika Hilton em Salvador, em meio a questionamentos sobre a atuação da Meta nas eleições brasileiras.

    “A nossa vitória vai representar uma vitória contra o autoritarismo e contra o autoritarismo das Big Techs, que acham que podem fazer a cabeça de todos os países do mundo e mandar em toda a gente. Eu acho que essa vitória brasileira será uma vitória emblemática”, afirmou o senador.

    A declaração ocorre em um momento em que além de ser a reta final da campanha presidencial, a empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp é alvo de questionamentos de órgãos públicos e organizações da sociedade civil sobre os critérios utilizados para restringir contas, remover publicações e limitar o alcance de conteúdos políticos durante a campanha eleitoral.

    Meta é questionada por bloqueios e restrições de conteúdo

    Na última segunda-feira (19), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) notificou a Meta para prestar esclarecimentos sobre denúncias de possíveis irregularidades nos procedimentos de suspensão de contas, remoção de publicações e restrição de alcance. A empresa recebeu prazo de cinco dias úteis para explicar os critérios adotados e os mecanismos disponíveis para contestação das decisões. 

    A iniciativa ocorreu após a abertura de um procedimento administrativo pela agência, na sexta-feira (16), diante de relatos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF), por entidades da sociedade civil e por usuários. Os casos com possível repercussão eleitoral foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O MPF também instaurou um procedimento para apurar práticas de moderação da Meta e da plataforma X. Segundo o órgão, organizações da sociedade civil reuniram mais de mil relatos de bloqueios, suspensões de perfis, remoções de publicações e restrições de alcance envolvendo cidadãos, jornalistas, comunicadores e movimentos sociais durante o período eleitoral. 

    Entre os episódios que ampliaram a discussão estão denúncias da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre supostas limitações à distribuição de conteúdos e inconsistências no funcionamento das ferramentas da Meta. Em resposta a questionamentos encaminhados à Justiça Eleitoral, a empresa reconheceu falhas técnicas relacionadas à desativação de uma conta de anúncios e à contagem de visualizações no Instagram. Também informou ter removido sete perfis considerados irregulares após uma apuração.

    A Meta, por sua vez, atribuiu os problemas identificados a falhas técnicas e negou interferência política deliberada. As denúncias e os procedimentos em andamento ainda precisam ser analisados pelas autoridades competentes, sem que isso represente, por si só, uma conclusão definitiva sobre favorecimento eleitoral. 

    Wagner defende campanha de Lula

    Durante a entrevista, Wagner também demonstrou confiança no desempenho eleitoral de Lula e afirmou perceber crescimento da mobilização em torno do presidente. O senador mencionou manifestações nas ruas, participação de estudantes e engajamento nas redes sociais como fatores que, em sua avaliação, contribuem para a campanha.

    Ao criticar o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), Wagner afirmou que o Brasil precisa de um presidente preparado para conduzir o país e destacou a atuação internacional do governo Lula.

    O senador também declarou que a disputa eleitoral representa, em sua avaliação, uma escolha sobre o papel das grandes empresas de tecnologia na sociedade. A fala insere a influência das plataformas digitais no debate político sobre a campanha presidencial, em um cenário de cobranças por transparência, liberdade de expressão e aplicação equilibrada das regras eleitorais.