Wagner diz que a PF armou. Fica a questão: onde estão os R$ 82 milhões?

    Agora cabe à PF salvaguardar sua honra provando que ele recebeu mesmo

    Frase da vez

    “Um dos 15 relógios que a PF apreendeu com Jaques Wagner fui eu que dei. Comprei na H Stern. Era tão barato que ele nunca usou”

    Otto Alencar, senador do PSD, falando sobre a ação da PF contra Wagner.

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

     

    Há dois aspectos imbricados no caso de Jaques Wagner, o jurídico e o político.

    No jurídico a PF o acusa de ter recebido propinas no montante de R$ 82 milhões. Wagner simplesmente diz que é mentira. E agora cabe à PF salvaguardar sua honra provando que ele recebeu mesmo. Ou melhor: onde ele botou ou aplicou ou gastou essa fortuna.

    Politicamente o estrago está feito. Os aliados de Wagner dizem que ele entrou na mira da PF na medida em que começou a ser frequentemente citado como o Plano B do PT para substituir Lula. Essa ideia, que Wagner nunca encampou, já evaporou.

    Resta a banda baiana. Wagner se coloca como candidato ao Senado e nada indica que tenha desistido. Mas é preciso saber se ele vai poder. Porque afinal, a ação da PF vai resultar num processo que ninguém sabe no que vai dar.

    ACM Neto dizia ontem que não vai festejar o desastre de um adversário. Mas os aliados dele não agiam bem assim. Alguns diziam que o caso faz um contraponto a Geddel. O que também não é bem assim.

    Geddel foi apanhado com R$ 51 milhões na mão, E Wagner só tinha na mão 15 relógios. Os R$ 82 milhões a PF tem que provar onde estão.

    Politização antecipada

    Antes de ser acusado pela PF no caso da Fonte Nova, Jaques Wagner já se queixava do que considera ser a politização da área da justiça no Brasil:

    — O MP está politizado, o Judiciário também. Aqui no Brasil está assim, se prende, para depois se verificar que o cidadão é inocente. Não é só com Lula, é com qualquer um. A política perpassou tudo.

    Agora se diz vítima de uma convicção que já tinha.