Wagner diz que politização dos militares foi ‘um dos maiores estragos’ da era Bolsonaro

    Ex-ministro da Defesa destacou que papel das forças de segurança ‘não é se imiscuir em questões internas da política’ e disse que levará tempo para 'reeducá-los'

    Foto: Reprodução / YouTube

    Líder do governo Lula no Senado e ex-ministro da Defesa na gestão de Dilma Rousseff (PT), Jaques Wagner (PT) classificou a politização das forças de segurança como a herança mais crítica da passagem de Jair Bolsonaro (PL) pela Presidência da República e afirmou que levará tempo para corrigir o problema no país.

    “Foi um dos maiores estragos, que foi contaminar a sociedade brasileira com o vírus da intolerância do ódio, do desrespeito, da falta de educação”, declarou o senador, nesta sexta-feira (13), em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, ao ser questionado sobre a “infiltração” bolsonarista nas polícias e Forças Armadas.

    “Ele introduziu um vírus do ódio e da intolerância, que eu acho muito perigoso, porque as pessoas começam não mais a divergir, [mas] odiar quem pensa diferente, a agredir, achar que tem o direito de agredir, de xingar disso, daquilo. E no caso do Exército, e eventualmente das polícias militares também, é preciso agora […] recolocar esse povo dentro da Constituição”, afirmou Jaques Wagner, que disse admirar os militares e demais forças de segurança, mas destacou que o papel deles “não é se imiscuir em questões internas da política”.

    Após os atos terroristas do último domingo (8) e o envolvimento – por adesão ou omissão – de militares, o parlamentar defendeu que agora será preciso realizar um processo de “reeducação”. “Amigo, você bate continência para o presidente da República porque está escrito na Constituição Federal do Brasil que o presidente da República é o chefe supremo das Forças. É uma decorrência da Constituição”, salientou.

    “Eu sei que é delicado o momento, você conhece meu estilo… Eu não sou de ficar atiçando ninguém, nem provocando. Não gosto disso, mas nós temos que ter a firmeza, junto da serenidade. A Constituição é clara, no mundo democrático funciona assim, e eu acho que todos nós, goste ou não goste de Lula, goste ou não goste de outro, goste de quem quiser, mas, acima de tudo, respeite a lei e a Constituição brasileira”, pontuou o parlamentar.

    Citando exemplo dos Estados Unidos, em 2020, quando o chefe do Estado Maior, general Mark Milley, foi à televisão para pedir desculpas por ter participado de uma caminhada a uma igreja ao lado do ex-presidente Donald Trump, o senador destacou que Exército, Marinha e Aeronáutica “estão aí para defender o patrimônio, a pátria brasileira, o nosso território e os nossos valores e não pra ficar se metendo na política”.

    “Então, é preciso que isso entre bem fundo na cabeça dessas pessoas e da Polícia Militar também”, reforçou Wagner, pontuando, no entanto, que não se deve generalizar, pois dentro das forças de segurança há muitos que têm a compreensão do seu dever constitucional.