Wagner diz que Rui foi mal interpretado ao cogitar aliança entre PT, PSDB e DEM contra Bolsonaro

    Senador afirmou ao bahia.ba que fala do governador levou em conta contexto de ameaça à democracia

    Senador Jaques Wagner (PT) |Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que o governador Rui Costa (PT) foi mal interpretado ao defender a possibilidade de a oposição firmar alianças com partidos como o PSDB e DEM para derrotar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022.

    A declaração do governador foi dada em entrevista recente ao jornal O Globo. “Eu diria que [o PT poderia se unir com] todo mundo que não tiver corroborando com esse governo, com seus atos de truculência”, disse Rui na ocasião.

    “Eu acho que foi mal interpretada a fala dele [Rui Costa]. Ele diz que, se tiver uma ameaça à democracia, como teve, por exemplo, na época do movimento das Diretas [Já]. Aí realmente a democracia é anterior a nossas escolhas político-partidária e ideológicas”, disse Wagner ao bahia.ba durante evento em que PSD baiano anunciou sua chapa para a disputa a prefeito de Salvador.

    “Mas, no quadro de democracia que eu entendo que vai perdurar até 2022, eu não vajo nenhuma possibilidade de golpe à moda antiga… Tanque na rua, fecha Congresso, fecha não sei o quê. Eu, sinceramente, acho que vai ocorrer como vai ocorrer aqui em Salvador”, acrescentou o senador.

    Petistas e tucanos polarizaram as eleições presidenciais entre 1994 e 2014. Em 2018, Bolsonaro disputou o segundo turno com Fernando Haddad (PT). O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, terminou em quarto lugar no primeiro turno.

    Ao O Globo, Rui Costa afirmou que, se preciso, manterá diálogos que possibilitem a formação de uma frente ampla para tentar minar os planos de reeleição de Bolsonaro. “Nós vamos chamar. Quantos temas nós já chegamos e já discutimos com o [João] Doria (PSDB), com o Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande Sul . Não tenho nenhum problema em sentar com eles e conversar sobre pilares necessários à nação brasileira, o futuro deste país. Democracia, transformação política e social você só faz com diálogo e com entendimento de conteúdo, de projeto. Se não você vai ficar eternamente refém de bancadas do ‘toma lá, da cá’. Como hoje o governo federal, está fazendo. Criticava tanto e está fazendo”, argumentou.