O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que o Brasil corre o risco de seguir o mesmo caminho econômico da Argentina caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República.
Em entrevista à Piatã FM, nesta sexta-feira (9), o petista avaliou que as propostas econômicas do senador e pré-candidato à Presidência se aproximam das medidas defendidas pelo presidente argentino, Javier Milei.
Para Wagner, a influência das ideias do argentino na agenda econômica do presidenciável pode levar o Brasil a enfrentar consequências semelhantes às registradas no país vizinho.
“A pregação econômica do Flávio e da senhora que ele está anunciando como ministra da Fazenda passa pelas ideias do Milei. Quando falo que o Brasil pode virar uma Argentina, não é uma ameaça, é a minha opinião do que pode acontecer”, declarou.
Wagner critica propostas para previdência e salário mínimo
Ao justificar a avaliação, o senador citou indicadores econômicos da Argentina. Segundo dados de setembro do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza no país chegou a 32,3%, enquanto o desemprego atingiu 7,9%, maior patamar desde 2021. Em julho, a economia argentina registrou retração de 2,9%, o pior resultado mensal desde a pandemia.
Wagner também criticou propostas que atribuiu à agenda econômica de Flávio Bolsonaro, especialmente mudanças na Previdência e um possível congelamento do salário mínimo. Na avaliação do senador, essas medidas poderiam comprometer a renda de aposentados brasileiros.
“A primeira coisa é mexer na previdência, depois congelar o salário mínimo. O salário mínimo paga a aposentadoria. Dos aposentados brasileiros, 70% se aposentam com um salário mínimo. Então, significa que o cidadão vai cair ladeira abaixo”, afirmou.
Senador compara Buenos Aires ao passado
Durante a entrevista, Wagner também recorreu à trajetória de Buenos Aires para ilustrar sua avaliação sobre a situação econômica argentina. O senador lembrou que a capital já foi vista como referência de desenvolvimento e sofisticação na América do Sul, mas, segundo ele, hoje enfrenta um cenário de empobrecimento.
“Dá para ver o volume de gente empobrecida, ou na extrema pobreza, na Argentina. Todo mundo via Buenos Aires como a Paris da América do Sul. Realmente, era um povo todo chique, elaborado. Hoje, a cidade está totalmente empobrecida”, concluiu.

