Wagner reage à provocação de Geddel e chama Temer de ‘interventor’

    Ex-ministro do governo Dilma ainda disse que gestão nacional do PT e candidatura ao Senado são possibilidades de seu futuro político

    Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba

    O ex-governador Jaques Wagner (PT) reagiu, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta sexta-feira (2), às últimas declarações do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), sobre a ex-presidente Dilma Rousseff e o futuro do PT. À Folha de S. Paulo, o peemedebista afirmou que a petista vai “ser esquecida em dois dias”, que ela “é página virada” da política brasileira e que o PT está enterrado.

    Para Wagner, a avaliação do adversário está errada, pois a população tem reagido ao que ele chama de “golpe” com protestos e, até mesmo, em enfrentamentos pessoais com políticos que se declararam a favor do impeachment. “Em Salvador, 70% da população condena o impeachment”, argumentou.

    Ao final da entrevista, Geddel mandou uma mensagem ao programa e convidou o ex-ministro a realizar um debate ao vivo na emissora para que ele responda “sobre esse lero-lero de golpe”. O desafio foi aceito por Jaques Wagner, que reiterou ainda a denúncia de Dilma de que o processo foi baseado em chantagens.

    “Foi o tempo todo na tentativa de chantagem, naquilo do Conselho de Ética [de livrar Eduardo Cunha do processo de cassação]. Eu não topei e ela não topou fazer esse tipo de acordo. A imagem do Brasil está desgastada lá fora. Estamos recorrendo ao STF e considero que o governo… não sei se chamo ele [Temer] de presidente ou interventor. No fundo, virou uma eleição indireta fantasiada de impeachment. Isso ofende à democracia”, reclamou.

    Destino político – O petista revelou ainda que até outubro vai se dedicar às campanhas políticas em Salvador e no interior do estado e que só depois decidirá o que realmente fará. “Seguramente, não serei secretário na Bahia”, afirmou. Wagner também sinalizou a possibilidades de assumir a presidência nacional do PT e futuramente ser candidato ao Senado na eleição de 2018.

    O ex-governador reforçou a “necessidade urgente” de fazer uma reforma política profunda no sistema vigente e preferiu não “qualificar” a postura de parlamentares e ex-ministros que decidiram abandonar a ex-presidente Dilma, a exemplo de Gilberto Kassab, que migrou de um ministério na gestão petista para outro com Michel Temer.