Waldir incendiou chance de expulsão de pepistas, diz Cacá

    Filho do vice-governador da Bahia, o deputado Cacá Leão disse que a "grande maioria" da bancada quer expulsão de quem desobedeceu orientação sobre impeachment

    Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
    Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    A decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP), de anular a votação do impeachment na Casa, reacendeu a possibilidade de expulsão dos pepistas que votaram contra a destituição da presidente Dilma Rousseff. Ainda nesta segunda-feira (9), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), já rejeitou a decisão de Maranhão e anunciou que dará prosseguimento ao processo de impedimento.

    “Esse ato de Waldir hoje realmente incendiou essa questão, que estava meio pacificada. Iam ser abertos os processos disciplinares e cada um ia defender a sua tese. Os processos são individuais, então cada um vai fazer a sua defesa. Acho que cada caso será cada caso”, disse ao bahia.ba o deputado Cacá Leão, um dos deputados que desobedeceram à determinação do PP de votar pelo impeachment.

    Filho do vice-governador da Bahia João Leão, Cacá admitiu que a chance de expulsão da legenda é real. Há cerca de duas semanas, seu pai e parlamentares do PP minimizavam a possibilidade.

    “No primeiro momento, o presidente Ciro Nogueira [senador do Piauí] disse que não iria abrir processo disciplinar contra os deputados, que não tomaria nenhuma atitude. […] Mas na semana passada foi convocada uma reunião da bancada na Câmara e alguns deputados levantaram a questão de que discordavam do posicionamento do presidente e gostariam de discutir isso no ambiente propício, que é a executiva do partido”, relatou Cacá. A reunião da executiva pode ocorrer ainda esta semana.

    Segundo ele, no encontro, a bancada aprovou “por uma maioria muito grande” a convocação da direção da sigla para discutir a punição aos dissidentes. “Mas a gente, da Bahia, tem defesa, inclusive alguns deputados nessa mesma reunião já colocaram a nossa questão em particular”, declarou Cacá. Anteriormente, o deputado já disse crer que está protegido “legalmente” de qualquer punição, por ter optado pela abstenção na votação do impeachment.