“Gentileza gera gentileza”. “Mais amor, por favor”. “Menos prisão, mais educação”. Mais do que meramente frases de efeitos divulgadas em muros e na linha do tempo do Facebook, esses dizeres proclamam ações que efetivamente contribuem para a expressividade do caráter amoroso de cada indivíduo para si e com o próximo. Nesta altura do campeonato, o provérbio “é fácil falar; difícil é fazer” não serve como manobra para justificativas vãs. O amor ainda que simbolicamente belo precisa sair do campo imaginário do desejo para dar lugar à lei física da ação e reação.
“É na pouca expressividade do caráter amoroso do espírito que nasce a violência”, sintetiza André Luis Peixinho, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB). Em conversa com o bahia.ba sobre as reflexões da doutrina espírita para o ano que se encerra e o que se aproxima, o líder religioso aponta as estruturas da sociedade como inibidoras da reativação de sentimentos nobres. “Estamos num período de bastante turbulência psico-física, é preciso incentivar ainda mais sentimentos de alteridade, amorosidade, para construir melhores relações”, destaca.
Para o espiritismo, a passagem de ano é uma convenção humana que de nada interfere na doutrina, que é fundamentada na existência, nas manifestações e no ensino dos espíritos. No entanto, sua conjuntura terrena é utilizada para reavivar a cultura da paz e do amor, especialmente em uma cidade onde, dos 1,5 mil homicídios ocorridos por ano, mais de 30% são de jovens, em sua maioria negros. “A violência decorre da ignorância espiritual das pessoas, que cometem violências, e da sociedade, que aprova isso, imaginando que, ao eliminar o corpo físico dessas pessoas, elas se libertaram, mas isso é um engano porque o espírito continua, influenciando”, explica André Luís Peixinho.
Ainda de acordo com o líder religioso, outra ignorância do ser humano é na estruturação da sociedade em uma suposta felicidade decorrente da posse, da dominação e da concentração de poder: “É uma visão centrada no modo de ter coisas, afetos, status, para prolongar a vida”. Dentro dessa redoma, de egoísmos e vaidades simbólicas, vão sendo construídos violentos enganos: com medo de morrer, o indivíduo ataca o que potencialmente pode lhe lesar ou destruir.
Pretextos – O ano de 2015 foi um ano de muitas mortes, envolvendo atos de terrorismo, sendo que a maioria deles tinham como pano de fundo conflitos de ordem religiosa. Para o presidente da FEEB, as pessoas não brigam pela religião e sim pelo poder e dominação, ou seja, trata-se do uso indevido da religião para continuar matando, bastando lembrar que a Inquisição e a Guerra Santa ocorreram “em nome do amor cristão”. “É o velho egoísmo humano que leva a esse tipo de situação e não a fé em uma religião”, destaca André Luís.

