Ana Paula: ‘Está pacificado, não haverá mudança do nome da nossa querida Lagoa do Abaeté’

    Vice-prefeita reafirmou respeito às religiões de matriz africana e disse que Salvador se orgulha de ser ‘a cidade de todos os povos que têm fé’

    Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

    Um dia após os protestos no Abaeté, durante o anúncio das obras de requalificação do local, divulgado como Monte Santo, a vice-prefeita Ana Paula Matos garantiu que o assunto está “pacificado” afirmou que “não haverá mudança do nome da nossa querida Lagoa do Abaeté”.

    Nesta sexta-feira (11), em entrega de obras na Igreja do Bonfim, Ana Paula explicou que os atos do dia anterior tiveram participação de quatro grupos. “Os representantes do pessoal do futebol, que tem 42 anos que trabalham lá e dão funcional; os representantes dos povos indígenas; tínhamos também os representantes da Associação dos Ex-Combatentes e os moradores da região; e tivemos representantes dos povos de matriz africana”, disse ela ao bahia.ba, informando ter iniciado o diálogo com todos eles.

    “Numa situação comum, primeiro a gente apresentaria o projeto, mas, pelo respeito, a gente permitiu inverter a pauta. A gente na verdade sugeriu inverter a pauta, eles passaram a reunião falando todas as questões que os afligiam e fizemos novos encaminhamentos, reuniões técnicas pra apresentar o projeto”, explicou a gestora, afirmando que alguns pontos já foram esclarecidos, a exemplo do fato de que não será uma construção de cimento na duna. “Como o próprio prefeito falou, é uma escada ecológica. A gente ali não é área de APA, o engenheiro Lutero esclareceu tecnicamente essa situação”, acrescentou.

    O tema mais delicado relacionado às demandas dos povos de religiões de matriz africana, segundo a vice-prefeita, tem sido tocado pela secretária de Reparação. “A secretaria Ivete Sacramento, com total propriedade de secretária da Reparação, foi quem conduziu e está agora com a responsabilidade de conduzir esse processo pra aumentar ainda mais o diálogo com as pessoas de religião de matriz africana. Porque têm questões ali que nem nos diziam respeito. Eles estavam reclamando, por exemplo, do posto elevatório da Embasa que foi feito na Lagoa do Abaeté, que foi pelo governo do estado. Eles estavam reclamando também do acesso ao Abaeté, que é do governo do estado”, pontuou, se dispondo também a mediar o diálogo com o governo Rui Costa para atender demandas da comunidade do Abaeté que estão fora da alçada da gestão municipal. “Eu me propus, como governante municipal, a procurar o estado com eles pra buscar o diálogo, como fizemos na época da Covid”, disse a vice-prefeita.

    A respeito das críticas pela suposta mudança do nome das dunas do Abaeté para “Monte Santo Deus Proverá”, proposta pelo vereador evangélico Isnard Araújo por meio de Projeto de Lei, Ana Paula Matos afirmou que o prefeito “já se comprometeu, que se [o PL} for aprovado, não será sancionado”. “Não acredito que há clima de aprovação, porque os vereadores entendem que não é o caso. Então, isso aí já está pacificado, não há nenhuma mudança no nome, que eu acho que é o que mais afligia”, reafirmou a gestora.

    Questionada sobre os rituais das religiões de matriz africana, que tradicionalmente ocorrem no local, ela afirmou que poderão transcorrer normalmente. “Ali é um espaço público, o que está se fazendo é numa área que já é existente. Colocar um receptivo para questões ambientais com acesso a todos., disse Ana Paula. “Um fato precisa ficar muito claro. Existe total respeito à nossa cidade da fé, existe inclusive deferência a essas grandes anciãs, ialorixás, mães de santo, pais de santo, os ogãs, como tinham ontem alguns, as pessoas que representam”, acrescentou a gestora, citando o investimento de R$ 8 milhões no Parque da Pedra de Xangô e outras iniciativas da prefeitura voltada para esta população. “Temos uma série de iniciativas, inclusive os reconhecimentos de patrimônio imaterial, os investimentos em infraestrutura, mas, sobretudo, do diálogo na Secretaria de Reparação da professora Ivete Sacramento. Existe todo um senso e todo diálogo há muitos anos, a gente está fazendo isso há muito tempo, então isso aí é indiscutível”, reiterou.

    “Salvador se orgulha de ser a cidade da fé, do sincretismo, das religiões de matriz africana, a cidade de todos os povos que têm fé. E eu, Ana Paula, como cidadã, vice-prefeita, com nosso prefeito Bruno Reis, vamos continuar investindo para que todos os povos possam expressar a sua fé da melhor maneira, mas sempre buscando a paz, o diálogo e o amor”, concluiu.