Publicado em 15/06/2026 às 17h55.

Câmara de Salvador debate preservação do Cemitério dos Africanos

Estima-se que o local reúna os restos mortais de cerca de 100 mil pessoas escravizadas e marginalizadas

Redação
Foto: Antônio Queirós

 

A descoberta do Cemitério dos Africanos, localizado no estacionamento da Pupileira, no centro de Salvador, concentrou os debates da Tribuna Popular realizada nesta segunda-feira (15) durante a sessão ordinária da Câmara Municipal. A próxima edição do Fórum Social Mundial também esteve na pauta, mas o sítio arqueológico mobilizou as principais manifestações de especialistas e vereadores.

A apresentação foi precedida pela exibição de um vídeo sobre o local, identificado durante pesquisa de doutorado conduzida pela arquiteta e urbanista Silvana Olivieri. Representando a Organização da Sociedade Civil Programa Direito e Relações Raciais da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Articulação Institucional e Jurídica (Aganju), ela detalhou a relevância histórica do espaço.

Conhecido também como Cemitério do Campo da Pólvora, o local é considerado o primeiro cemitério público de Salvador. Em funcionamento por aproximadamente 150 anos, até sua desativação em 1844, estima-se que reúna os restos mortais de cerca de 100 mil pessoas escravizadas e marginalizadas.

Segundo Silvana Olivieri, eram enterrados ali africanos considerados pagãos, isto é, não convertidos ao cristianismo, além de personagens ligados a episódios marcantes da história baiana, como a Revolta dos Búzios e a Revolta dos Malês.

A arqueóloga e antropóloga Jeanne Dias, responsável pela coordenação das escavações históricas no estacionamento do Complexo da Pupileira que confirmaram a existência do cemitério, também participou da Tribuna Popular. Durante sua fala, afirmou que “os resquícios da escravidão ainda continuam no presente”.

O tema também provocou manifestações entre os vereadores. A vereadora Marta Rodrigues (PT) destacou a dimensão histórica do sítio arqueológico ao afirmar: “Trata-se do maior cemitério de africanos escravizados da América Latina”.

Já a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) defendeu medidas para garantir a preservação e o acesso público ao local. “Podem contar com o apoio da bancada do PCdoB nesta Casa pela desapropriação do local para viabilizar a visitação a este sítio arqueológico”, frisou.

Reconhecido como sítio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Cemitério dos Africanos é apontado por pesquisadores como um dos mais relevantes marcos da memória da escravidão no país e tem impulsionado debates sobre preservação patrimonial e reparação histórica em Salvador.

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