Quem passa pelas imediações de locais como Shopping da Bahia, Avenida Sete e até mesmo nos bairros super populosos de Salvador, observa que ao longo dos anos o mercado informal, ou simplesmente os camelôs, aumentam a cada dia, por dois motivos: não está fácil encontrar emprego com carteira assinada e a população acha mais cômodo trabalhar por conta própria.
Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o número de trabalhadores por conta própria em todo o país chegou a 24,6 milhões e cresceu 1,2% frente ao trimestre anterior e 3,6% em relação ao mesmo período de 2018.
Luiz Roberto Oliveira trabalha há 14 anos com vendas informais. Ele disse ao bahia.ba que já trabalhou com carteira assinada, mas quando saiu do emprego voltou a trabalhar com vendas, e achou que seria melhor assim. Segundo ele, a comodidade que ele tem com esse tipo de trabalho é melhor.
“Esse negócio de bater cartão não é comigo não. Prefiro ter a minha liberdade de poder sair e chegar a hora que eu quero trabalhar. O dinheiro não é muito não, pois a gente sabe que as pessoas também não estão com tanto dinheiro para gastar, mas o que eu ganho aqui dá pra eu comprar pelo menos o alimento de cada dia. Luxo não tenho, mas também de fome eu não morro”, disse o vendedor.
Carla Santos é formada em bombeiro civil. Segundo ela, o trabalho informal começou pois era um “ganha pão” a mais. Mesmo com a formação, ela não deixa de ir para as ruas trabalhar.
“Eu faço meus bicos como bombeiro nos eventos que aparecem, mas não deixo a minha barraca por nada. São já oito anos trabalhando como camelô e o que eu tiro aqui é o suficiente para me sustentar. A formação como bombeiro acaba sendo mais uma renda para complementar no fim do mês”.
Ela também afirmou que o trabalho informal traz a ela a comodidade de uma vida sem ter que bater ponto e nem dá satisfação para patrão. “Eu aqui faço meu horário. Se eu não quiser trabalhar hoje não trabalho, se eu quiser chegar mais cedo eu chego. Se eu quiser sair mais tarde eu saio. Essa liberdade que me faz continuar com o que faço”. Carla contou também que apesar de trabalhar como camelô, ela paga regularmente o INSS para ter a garantia de um aposentadoria em breve.
Mas como todo trabalho em que o dinheiro é diário, tem que ter responsabilidade e disciplina. O sobrinho de Carla, Zaqueu Silva, trabalha com a tia há cinco anos. Segundo ele, a época que mais aperta é no final do mês.
“O que a gente ganha no começo do mês, a gente guarda pro final pra conseguir segurar as contas. Não pode gastar tudo, tem que ter um planejamento diário pois não é todo dia que a gente vende bem. Mas eu também não penso em trabalhar com carteira assinada não. Essa liberdade de poder fazer o meu horário pra trabalhar é o que me prende aqui”.

