Guerreiro ressalta falta de relevância da cultura no governo Bolsonaro: Agora volta à normalidade

    “A gente viveu quatro anos de terror"

    Foto: Jamile Amine/bahia.ba

    Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro, criticou o tratamento dispensado à cultura na administração do presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu uma maior relevância do setor, independente das cores partidárias do chefe do Executivo nacional.

    Em conversa com o bahia.ba, nesta quinta-feira (10), ele se disse esperançoso com a nova gestão de Lula. “A gente agora volta à normalidade”, pontuou o diretor de teatro e gestor cultural. “A gente viveu quatro anos de terror, de uma situação completamente audaciosa e louca. Eu acho que agora a gente começa novamente a ter uma política cultural no país”, disse ele durante a abertura oficial da Bienal do Livro Bahia, no Centro de Convenções Salvador. 

    Para ele, a política cultural, durante o período de governo de Bolsonaro, foi mais que esquecida e deixada de lado. “A gente não estava na ausência, estávamos no ódio. As pessoas tinham horror a área cultural, agora a gente volta a ter uma gestão”, afirmou Guerreiro, que prevê pujança na área da cultura nos próximos quatro anos, mas também muito trabalho para lidar com o desmonte promovido no atual governo.

    “Eu estou muito animado. Primeiro vai ter que reconstruir, porque a estrutura Federal da cultura está totalmente desmobilizada e desestrutura, mas eu acredito que a gente vai viver quatros anos de muito avanço, de muita prosperidade e espero que isso que aconteceu não volte nunca mais. Eu acho que temos que estar crescendo, a cultura é importantíssima para o país, uma base do país e acredito que possa unir forças com o governo federal para crescer cada vez mais”, afirmou o presidente da FGM. 

    “A gente vai poder desenvolver uma série de políticas. Vamos ter verbas e acho que essa é apenas uma ponta do iceberg, ainda tem muita coisa aí, que eu acredito que vá acontecer. O presidente [Lula] falou 13 vezes a palavra cultura no dia que ele foi eleito, nenhum presidente que eu lembre falou de cultura, então isso vai ser muito importante para a cidade de Salvador, o estado da Bahia e o país como um todo”, vaticinou com otimismo, também comemorando o fato da cultura voltar a ter status de ministério no novo governo.