Integrante das Mães da Praça de Maio fala de justiça na Uneb

    Argentina Nora Cortiñas, 86 anos, é homenageada nesta quarta pela comunidade acadêmica e reafirma disposição em continuar luta pelos direitos humanos

    Cofundadora da Associação Mães da Praça de Maio, a argentina Nora Cortiñas, de 86 anos, foi homenageada nesta quarta-feira (13) pela comunidade acadêmica da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus I (Salvador), bairro do Cabula.

    A uma plateia de professores e calouros de diversos cursos, a homenageada falou sobre ditadura, política, direitos das mulheres e minorias. Ela é militante desde os anos 1970 e abraçou a causa pela dor: em 1977, seu filho Carlos Gustavo Cortiñas, de 24 anos, desapareceu após ser levado por militares argentinos, que o teriam torturado e matado.

    “Eu não entendia nada de política até antes do golpe de Estado na Argentina. Mas, ao me encontrar com as outras mães, foi uma aprendizagem para eu entender melhor a política e entender melhor o meu filho e os jovens que querem se dedicar à política e também à militância. Os jovens militam para mudar o mundo, são militantes da vida e da justiça social”, expôs Nora.

    Ao longo do discurso, ela criticou o governo do presidente Maurício Macri (no poder desde dezembro de 2015) e comentou a atual crise política brasileira. Para a ativista, o processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff configura um “golpe de Estado”. Ao encerrar sua fala, Nora Cortiñas lembrou os desaparecidos, perseguidos, torturados e violentados do mundo.

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    Estudantes da Uneb lotaram auditório durante apresentação de Nora Cortiñas (Foto: Sayonara Moreno/Agência Brasil )

     

    Cabula – Aproveitando o mote “mães que perderam filhos” – sobretudo as negras – o professor do Departamento de Ciências da Vida da Uneb Anderson Carvalho, lembrou a chacina do Cabula (episódio em que 12 jovens negros foram mortos pela Polícia Militar, em fevereiro de 2015). Para ele, a vinda de Nora ao bairro é oportuna e ressalta a importância na continuidade da luta por justiça social.

    Por questões burocráticas, a homenagem acabou ficando incompleta: a medalha honoris causa que deveria ser entregue à ativista não foi liberada a tempo. A homenagem se reuniu a flores e elogios.

    Na Bahia desde o início da semana, Nora participa da Jornada de Direitos Humanos e Democracia, evento organizado por um coletivo de entidades ligadas aos movimentos sociais.

    Com informações da Agência Brasil.