Mãe de adolescente denuncia racismo em loja da Samsung: ‘É uma dor tão grande’

    Em entrevista ao bahia.ba, Juciara relatou o ocorrido com seu filho de 14 anos; caso está sendo investigado pela Derca

    Foto: reprodução fotos públicas

    “É uma dor tão grande. É como se você se sentisse um verme, um nada”. As palavras são de Juciara Vinagre, mãe de um adolescente negro de 14 anos que contou ter sofrido racismo dentro de uma loja da Samsung, localizada em um shopping de Salvador. O caso aconteceu na última terça-feira (12) e, segundo relatos da mãe ao bahia.ba, um funcionário da loja barrou a entrada do menino, afirmando que ele não deveria tocar em nada.

    “Estávamos em um aniversário de um familiar no Salvador Shopping. Enquanto nos reuníamos na praça de alimentação com os parentes, meu filho de 14 anos foi pesquisar um modelo de celular, que eu já tinha prometido dar para ele, caso ele continuasse tirando boas notas. Primeiro ele primeiro em uma loja que o tratou muito bem. Depois ele segui para Samsung, chegando no estabelecimento, o vendedor nem se quer deixou ele entrar, já barrou a entrada dele dizendo: “aqui você não entra! Nem toque em nada aqui”.

    Segundo a funcionária pública, o filho ficou sem reação no momento e só contou para ela quando estavam indo embora do centro de compras. “No momento em que voltou, meu filho não me contou nada logo não. Só quando a gente estava ajeitando as coisas para ir embora que ele não conseguiu mais conter o choro e me contou o que tinha acontecido. Na mesma hora eu fui no local, mas a loja já estava fechada”, disse.

    No dia seguinte, quarta-feira (13), Juciara levou o caso até a Delegacia Especializada de Repressão a Crime Contra Criança e Adolescente (Derca), que investiga a denúncia. Segundo a polícia,  foi aberto um inquérito e as primeiras oitivas já foram realizadas.

    Procurada, a Samsung disse ao bahia.ba que está conduzindo uma investigação para apurar o caso e segue à disposição para esclarecimentos. A empresa pontuou ainda que “a Samsung preza pela diversidade e repudia qualquer tipo de discriminação.

    Abalo

    Após o ocorrido, Juciara contou que o menino costuma ter agora crise de choro. “Graças a Deus meu filho é um garoto muito educado, filho único, bom estudante. Mas agora ele ele recebeu isso e ficou arrasado. Isso tem que acabar. É uma dor tão grande, como se você se sentisse um verme, um nada. É muito triste passar por isso, ainda mais través da dor do meu filho. Agora ele tem crise de choro pela noite. Para você ter noção, meu filho é educado, não responde os mais velhos e nem reagiu justamente porque não é de confusão. Só quero que tudo seja investigado e que não fique impune”.