A morte do jovem Danilo, ocorrida na madrugada do último sábado (24) no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, motivou protestos de familiares e moradores que contestam a versão oficial apresentada pela Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Segundo relatos da comunidade, o jovem foi alvejado pelas costas quando retornava de uma festa de aniversário na Rua Emídio Pio e não possuía qualquer envolvimento com o crime organizado.
Em relato gravado sob condição de anonimato, uma testemunha apontou que a guarnição policial teria chegado ao local efetuando disparos contra um grupo de jovens por volta das 23h30. Na ação, além de Danilo, uma jovem grávida e o namorado dela também foram atingidos.
“A viatura chegou atirando. Os meninos se assustaram com os tiros. Danilo foi baleado nas costas e moradores ouviram ele falar que era morador e inocente”, afirmou a testemunha anônima. “Temos imagens dele no chão rendido. O policial disse que daria socorro e pediu o celular dele, mas ele foi colocado no camburão como se fosse um lixo. Tempos depois, ouvimos diversos disparos dentro do Parque da Cidade”, completou.
A testemunha relatou ainda que o corpo de Danilo deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) já sem vida, cerca de 30 minutos após o jovem ferido na perna ter chegado à mesma unidade com a ajuda de moradores. A comunidade realizou manifestações de protesto no domingo e na segunda-feira (26) em frente à Corregedoria da PM-BA, cobrando o afastamento dos policiais envolvidos e o uso de câmeras operacionais no fardamento dos agentes do 30º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
Danilo mantinha, ao lado do pai, identificado como Carlos, um projeto social voltado para crianças e mulheres na região de Santa Cruz, com atividades comunitárias e escolinha de futebol. Em razão dos protestos e do clima de insegurança que se seguiu à ação militar, a circulação dos ônibus do transporte público chegou a ser suspensa temporariamente em Santa Cruz e no Vale das Pedrinhas na segunda-feira (26).
Versão da PM da Bahia
Por meio de nota oficial, a Polícia Militar da Bahia apresentou uma versão divergente sobre o ocorrido. A corporação informou que equipes do 30º BPM realizavam patrulhamento na localidade de Emídio Pio quando foram surpreendidas por cerca de 15 homens armados que efetuaram disparos contra as guarnições, desencadeando um confronto.
“Após o término dos disparos, os militares encontraram um homem armado e uma mulher feridos no solo. Ambos foram socorridos para uma unidade hospitalar da rede pública, onde o homem não resistiu aos ferimentos”, diz a nota da PM-BA. “A mulher recebeu atendimento no braço e um terceiro homem deu entrada na mesma unidade com ferimento na perna”.
A instituição informou que foram apreendidos na ação uma submetralhadora de fabricação artesanal calibre 9mm, munições, 30 buchas de maconha, 49 pinos de cocaína, 30 pedras de crack, uma balança de precisão e uma quantia em dinheiro, com registro da ocorrência efetuado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A PM-BA ressaltou que mantém o policiamento reforçado na região.
A reportagem também procurou a Polícia Civil da Bahia (PC-BA), que informou investigar as circunstâncias por trás do episódio ocorrido no último sábado. Em nota ao bahia.ba, a PC-BA também confirmou que os “policiais envolvidos na ocorrência já foram ouvidos, as armas institucionais foram recolhidas e outras oitivas estão em andamento”.

