Muller rebate críticas sobre construção de viaduto e fala em ‘nova Tancredo Neves’

    "Aqui a gente tem cultura rodoviarista, de priorizar o carro, estamos tentando mudar isso", diz secretário de Mobilidade

    Foto: Jorge Jesus/bahia.ba

    A Prefeitura de Salvador autoriza na manhã desta segunda-feira (2), o início das obras para construção de um novo viaduto na Avenida ACM, a fim de reduzir o congestionamento na região. Em entrevista à imprensa, o secretário municipal de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller, revela que a série de intervenções que estão sendo promovidas pelo Executivo faz parte do projeto “Nova Tancredo Neves”.

    “Com a implantação do BRT, foi feito um estudo para projetos complementares em toda a região. Então, tudo isso aqui foi simulado através de sistemas específicos de simulação de origem e destino para que a gente pudesse ver quais eram as intervenções mais necessárias nessa região”, disse o titular da Semob, que acompanha o prefeito Bruno Reis (União Brasil), em ato de assinatura para ordem de serviço do novo viaduto, na avenida ACM.

    Além desta obra, outras intervenções fazem parte do pacote de melhoria da nova Tancredo Neves, bem como a duplicação da Rua Marcos Freire, a construção de um novo viaduto em frente ao Shopping da Bahia e a construção de um Mergulhão.

    Na oportunidade, o secretário também rebateu as críticas que o novo elevado vem recebendo, desde o anúncio nas redes sociais. Segundo Muller, a nova intervenção está sendo realizada com base em estudos que detectou a necessidade da nova construção para desafogar o trânsito.

    “Nada aqui é feito sem estudos técnicos, com sistemas de micro simulação, sistemas que identificam as necessidades das cidades. É claro que se você for olhar do ponto de vista urbanístico, o viaduto é sempre um elemento que pesa, mas há uma necessidade de viário”, contestou.

    Muller ainda afirmou que a capital baiana está imersa a uma cultura rodoviarista, a qual as pessoas utilizam carros como prioridade. Durante a conversa, o titular da Semob também frisou que há uma comparação entre Salvador e algumas cidades da Europa no quesito mobilidade, onde muitos deixam os carros em casa e fazem uso dos transportes públicos.

    “A gente ouve muitas críticas, inclusive colocando como exemplo cidades na Europa, onde as pessoas não utilizam tanto o carro. Aqui a gente ainda tem uma cultura rodoviarista, de priorizar o carro. Estamos tentando mudar isso tanto que a gente está melhorando o transporte público para mudar essa cultura, só que isso não acontece da noite para o dia”, afirmou.

    Como uma das soluções para a mudança desta cultura, Muller cita o BRT, como uma das peças-chaves para incentivar a utilização dos ônibus e coloca a segurança pública como fator determinante para que as pessoas optem por seus veículos próprios.

    “O BRT tem trazido muita facilidade e mobilidade para as pessoas na melhoria no seu deslocamento, da mesma forma que o metrô trouxe. Claro que a gente vê como o futuro da cidade, a melhoria do transporte para que as pessoas possam deixar o seu veículo em casa, mas isso ainda não é uma realidade de momento da cidade. A gente tem outras questões que impactam, inclusive a segurança pública. As pessoas hoje têm um pouco de receio de sair transporte público por conta da violência”, acrescentou.