Publicado em 22/11/2016 às 15h00.

Obra aprovada pelo Iphan é ‘insensível e descontextualizada’, diz arquiteto

Estacionamento está localizado atrás da Igreja da Barroquinha, que é tombada desde 1941; empresa responsável por obra alega regularidade

Rebeca Bastos
Foto: Reprodução Facebook/Divulgação Fera
Foto: Reprodução Facebook/Divulgação Fera

 

O arquiteto Carl Von Hauenschild, membro do Instituto de Arquitetos do Brasil – departamento Bahia (IAB) classificou o projeto de um estacionamento nos fundos da Igreja da Barroquinha como “insensível, descontextualizado e egocêntrico”. A construção do empreendimento, atrás do templo, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1941 e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, tem chamado a atenção de quem passa na região do Centro Histórico de Salvador.

A polêmica também está instalada no Facebook, onde um post gerou quase 300 compartilhamentos e diversas dúvidas quanto à legalidade da construção, que na opinião dos internautas, interfere na fachada do monumento.

Ciente de que a obra em curso foi aprovada pelo Iphan, Von Hauenschild não poupou críticas ao projeto arquitetônico. “O projeto não dialoga com o entorno, não respeita proporções, formalismos… É uma obra egocêntrica, de grande vaidade arquitetural”, justificou. Ele também lembrou que o erguimento do prédio coloca em risco a preservação de uma área tombada por abrir precedente para que donos de outros imóveis possam fazer os projetos que quiserem.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

 

Aprovada – Responsável pela empresa Estacionamento Barroquinha e dono grupo Fera Investimentos, o empresário Antônio Mazzafera disse ao bahia.ba que a obra do estacionamento obedece a todos os critérios impostos pelo Iphan e que não descaracteriza a arquitetura local.

“O projeto foi feito de acordo com as normas vigentes, foi pensado de forma a não impactar visualmente a Igreja da Barroquinha, por isso as paredes são vazadas e a altura é menor do que a da fachada”, argumentou o empresário, que adquiriu 123 imóveis no entorno da Rua Chile para implementar o que seu grupo chama de “Bahia District”.

Ainda conforme Mazzafera, a construção recebeu autorização do Iphan em 20 de março de 2014 e da Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) em 28 de março do mesmo ano. A previsão é de que o empreendimento seja inaugurado em março de 2017, como parte das ações empresariais do grupo em Salvador que serão impulsionadas com a inauguração do Fera Palace, prevista para o início do ano que vem.

Gestão sob suspeita – A autorização da obra foi obtida na gestão de Carlos Amorim, que foi demitido em outubro de 2015, pelo então ministro da Cultura, Juca Ferreira. No domingo (20), Ferreira publicou em suas redes sociais que a atuação de Amorim junto à liberação do La Vue. No texto, Juca diz que Amorim usava de artifícios como “falsificações e montagens grotescas” para sustentar suas afirmações sobre o prédio.

Nesta terça-feira (22), a Sucom emitiu uma nota e pontuou que “todo processo de licença do edifício seguiu o rito previsto, de acordo com a legislação”.

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