Publicado em 16/06/2026 às 10h37.

Operação desarticula organização criminosa com atuação em Águas Claras

Ao todo, foram cumpridos 22 mandados e dois suspeitos resistiram a prisão e morreram em confonto com a polícia

Redação
Foto: Divulgação/SSP

 

A Polícia Civil da Bahia realizou, nesta terça-feira (16), a Operação Gênesis, alcançando 22 investigados identificados durante apurações sobre a atuação de uma organização criminosa responsável por pelo menos 15 homicídios registrados entre 2025 e 2026, em Salvador. A ação é resultado de dois anos de trabalho conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por meio da Coordenação de Operações e Inteligência (COI).

Dos 22 alvos alcançados, 21 eram objeto de mandados de prisão preventiva e um foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. Entre os investigados com ordens judiciais, dois resistiram às abordagens policiais e morreram em confronto. Cinco mandados foram cumpridos contra investigados que já se encontravam custodiados no sistema prisional, sendo três na Bahia e dois em Santa Catarina.

As equipes policiais efetuaram prisões em Salvador, Lauro de Freitas, Macaé, no estado do Rio de Janeiro, e nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. Naquele estado, sete integrantes da organização criminosa foram alcançados pela operação. Desses, cinco tiveram mandados de prisão cumpridos, um foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e outro morreu após confronto com as equipes policiais durante o cumprimento da ordem judicial.

Durante a operação, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão. As equipes apreenderam armas de fogo, porções de entorpecentes, documentos, aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos que serão submetidos à análise pericial e incorporados às apurações em andamento.

As apurações apontam que a organização criminosa possuía atuação estruturada e elevado grau de violência, utilizando barricadas, sistemas de videomonitoramento, câmeras e drones para monitorar a movimentação das forças de segurança e intimidar moradores das comunidades sob sua influência.

As investigações apontam que a organização criminosa atuava na região de Águas Claras e posteriormente expandiu suas atividades para o estado de Santa Catarina, onde mantinha um núcleo operacional voltado ao tráfico de drogas e à prática de homicídios.

O grupo tinha como principal liderança em liberdade Rogério de Andrade Gonçalves, de 33 anos. Durante o cumprimento de mandado de prisão preventiva no município de Retirolândia, o investigado reagiu à abordagem policial e efetuou disparos contra as equipes. Houve confronto, e ele foi atingido. Rogério chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com as apurações, ele exercia papel central na estrutura criminosa, sendo responsável por determinar ações relacionadas ao tráfico de drogas, homicídios e demais atividades ilícitas praticadas pelo grupo na região de Águas Claras.

Alvos estratégicos

Entre os alvos de maior relevância estava Rodrigo Ventura dos Santos, de 32 anos, investigado por atuar diretamente no tráfico de drogas, na execução de rivais e na coordenação de ações criminosas.

De acordo com as apurações, ele ocupava posição de confiança dentro da estrutura criminosa, participando da seleção de novos integrantes, da organização de ataques contra grupos rivais e da gestão do aparato bélico utilizado pela organização. Rodrigo morreu após confronto com equipes policiais durante o cumprimento do mandado judicial em Santa Catarina.

Outro investigado preso em Salvador foi um homem de 54 anos apontado como armeiro da organização criminosa. As apurações indicam que ele era responsável pela fabricação, adaptação e manutenção dos armamentos utilizados pelos integrantes.

Em diligências anteriores, armas, peças e equipamentos relacionados à atividade já haviam sido apreendidos em sua residência.

Também foi preso um produtor cultural de 53 anos, investigado por promover eventos e festas do tipo paredão na região de Águas Claras. Conforme as apurações, ele utilizava esses eventos para repassar informações sobre a movimentação das forças de segurança e auxiliar na comunicação entre integrantes da organização criminosa.

A Operação Gênesis é resultado direto do aprofundamento das apurações iniciadas após a Operação Saigon, deflagrada em 2023 contra o mesmo grupo criminoso. A ofensiva mobilizou mais de 300 policiais e 80 equipes, configurando uma das maiores operações coordenadas pelo DHPP nos últimos anos.

A ação contou com o apoio dos Departamentos de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO), de Polícia Metropolitana (DEPOM), de Inteligência Policial (DIP), de Polícia do Interior (DEPIN), Especializado de Investigações Criminais (DEIC), de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC) e de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), além da Coordenação de Polícia Interestadual (POLINTER), da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE), da Superintendência de Inteligência da SSP/BA e das Polícias Civis dos estados do Rio de Janeiro e Santa Catarina.

As apurações prosseguem com a análise do material apreendido e o aprofundamento da responsabilização criminal dos integrantes da organização criminosa.

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