Publicado em 20/01/2016 às 12h56.

Orquestras populares reivindicam espaço no Carnaval

Grupo escreveu carta aberta direcionada à Prefeitura de Salvador e vai fazer protesto musical na Barra nesta quinta-feira (20)

Rebeca Bastos
Na foto a Orquestra Fred Dantas no Carnaval de 2015. Foto : Mario Bittencourt/Agecom
Na foto, a Orquestra Fred Dantas no Carnaval de 2015. Foto : Mario Bittencourt/Agecom

 

Um grupo formado por oito orquestras populares solicita a concessão de um espaço específico no Carnaval de Salvador, em carta aberta direcionada à prefeitura. No documento, as orquestras de Fred Dantas, Paulo Primo, Yemanjá, Reginaldo de Xangô, Cuba Jazz, Oficina de Frevos e Dobrados e Zeca Freitas questionam a ausência dos conjuntos musicais na festa.

De acordo com o maestro Paulo Primo, uma tradição de 40 anos foi posta de lado. “Realizamos a abertura do Carnaval de 2015 no Farol da Barra e foi um imenso sucesso, com  excelente aceitação do público. Até agora não obtivemos nenhuma resposta dos projetos inscritos na Saltur [Empresa Salvador Turismo], por isso estamos insatisfeitos com o silêncio da prefeitura, que ainda não nos recebeu. Essa é a primeira vez que ficamos de fora da festa em 40 anos”, ressaltou o regente.

A expectativa é de que a questão seja solucionada antes do Carnaval, que começa em duas semanas. Com o objetivo de chamar a atenção da população da cidade, o grupo de 140 músicos vai realizar uma manifestação nesta quinta-feira (21), a partir das 9h, no Porto da Barra.

Veja a carta na íntegra:

“As orquestras populares da cidade do Salvador, unidas em busca de continuar a existir e cativar novos admiradores da sua arte, sobretudo no ambiente carnavalesco, vêm solicitar da Prefeitura Municipal do Salvador a concessão de um espaço específico – um palco das orquestras – a manutenção da participação das orquestras no carnaval dos bairros e a realização da segunda edição do Axé Orquestrado.

Nosso movimento este ano vem justificado pelo sucesso da participação das orquestras no Carnaval do presente ano. Não tivemos o palco das orquestras, mas o Axé Orquestrado, com quatro orquestras em um só palco abrindo o Carnaval, foi um sucesso, atestado pela presença do nosso prefeito ACM Neto, que fez e recebeu elogios.

A presença das orquestras nos carnavais de bairro, que a princípio poderia causar estranheza pela falta de hábito das populações em consumir algo que não seja imediatamente de gosto midiático, também foi um êxito. As pessoas se sentiram respeitadas, valorizadas pela presença desses grupos com duas dezenas de músicos, e quando passamos a tocar, além das tradicionais marchinhas, música da atualidade, esse sentimento de simpatia tornou-se pura e afinada folia.

Assim, com base não mais em uma suposição, ou com base em uma justiça artística, mas de acordo com a experiência vivida, viemos reivindicar novamente para as orquestras um papel condigno dentro do Carnaval de Salvador, um panorama de diversidade, de relativismo cultural onde já se teve, por mais de 30 anos, um Palco das Orquestras, que queremos agora ter de volta.

As orquestras têm um papel importante e exclusivo no universo das músicas de carnaval, seja em ambiente fechado, onde prevalecem as orquestras com acompanhamento harmônico, seja no ambiente das ruas, onde ganham destaque as orquestras de sopro, ou bandas de música.

Então estão afinadas, prontas e oferecendo emprego e renda a dezenas de músicos profissionais a Orquestra Fred Dantas, Orquestra Paulo Primo, Orquestra Yemanjá, Orquestra Reginaldo de Xangô, Orquestra Cuba Jazz, Oficina de Frevos e Dobrados, Orquestra Benutti e Orquestra Zeca Freitas.

Maestros das Orquestras Populares de Salvador “ 

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