Pelo menos 60 rodoviários temem demissão após incêndios a ônibus

    Embora cause receio e tenha provocado o desligamento de pelo menos 215 profissionais em quatro anos, o sindicato patronal diz que o "assunto não é importante"

    Foto: Dalton Soares / TV Bahia
    Foto: Dalton Soares / TV Bahia

    Após 12 ônibus serem incendiados em Salvador em 2017, pelo menos 60 rodoviários correm o risco de serem demitidos, de acordo com o sindicato que representa a categoria no estado. O número de casos apenas entre os meses de janeiro e setembro corresponde a todo o volume de ocorrências do ano passado.

    A entidade de classe afirmou ao bahia.ba que, entre os profissionais diretamente afetados pelos atos criminosos, estão não só cobradores e motoristas, mas funcionários ligados à manutenção.

    Ao todo, estima-se que cinco pessoas atuam por veículo e o medo da dispensa surge porque os empresários não fariam a reposição das unidades consumidas pelas chamas. Em quatro anos, o sindicato contabiliza 43 coletivos destruídos e uma média de 215 rodoviários afastados das suas funções.

    Embora seja acusado pela associação dos trabalhadores de “evocar o fantasma da demissão”, o sindicato patronal minimizou os desligamentos provocados pelos atentados ao transporte público. De acordo com o diretor de Relações Institucionais do consórcio Integra, Jorge Castro, “esse assunto não é importante”.

    “A sociedade passa por um momento difícil, é uma guerrilha. A questão já não é o ônibus, mas se há pessoas que ficaram feridas. O Setps não quer discutir mais esse assunto, mas saber o que tem que empreender para que a violência seja combatida. Esse assunto já está repetitivo”, afirmou, ao ponderar que o público tem o “direito de criticá-lo, caso discorde”.

    Nesta semana, em menos de dois dias, um ônibus foi incendiado na Estrada do Derba, na segunda-feira (18), e um confronto entre policiais e suspeitos, no Vale das Pedrinhas, nesta terça (19), deixou a população sem acesso às frotas no fim de linha do bairro.