Prefeitura não tem condições de arcar com 100% da frota de ônibus, diz Bruno

    Declaração do prefeito veio após o Ministério Público recomendar a circulação da frota completa em horário de pico

    Foto: Betto Jr/secom PMS

    O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), afirmou, na manhã desta quarta-feira (9), que a prefeitura não tem condições de acatar o pedido do Ministério Público (MPBA), para que a cidade volte a ter 100% da frota de ônibus em horário de pico.

    Em conversa com a imprensa, o gestor afirmou que a prefeitura não tem condições de pagar a conta e, além disso, não há mais veículos disponíveis para atingir o número completo da frota de antes da pandemia.

    “Houve uma diminuição do número de passageiros transportados na pandemia. Aqui em Salvador voltamos a 60% do que transportávamos antes. (Em contrapartida) houve um aumento elevado dos insumos dos combustíveis. Além disso, o valor do ônibus elevou muito. Hoje a tarifa não remunera mais o sistema. O sistema é deficitário. Nós, prefeitos do Brasil, estamos mobilizados buscando um subsídio federal para evitar um aumento da tarifa ainda esse ano. Se nós praticarmos os aumentos que estão previstos nos contratos, a população não tem condições de pagar”, afirmou Bruno.

    O Ministério Público estadual reiterou à Justiça o pedido para que se determine ao Município de Salvador a retomada integral da circulação de 100% da frota de ônibus efetiva do sistema de transporte coletivo municipal, durante os horários de pico.

    A petição foi protocolada nesta segunda-feira (7), pela promotora de Justiça Rita Tourinho. Segundo ela, as explicações da Secretaria de Mobilidade Urbana de Salvador (Semob) sobre a diferença entre a frota de ônibus disponível e àquela alocada não condizem com o cenário de pandemia da Covid-19.

    “Em relação aos argumentos levantados pela Semob no parecer técnico, importante frisar que a lógica da proporcionalidade pautada em parâmetros anteriores a pandemia não pode ser mantida, diante da atual necessidade de um distanciamento mínimo entre os passageiros, necessidade esta que não existia no contexto pré-pandêmico. Outrossim, há a necessidade de colocar em circulação 100% de toda a frota possível, e não somente 100% da frota alocada”, afirmou a promotora.