‘Quem vai pagar essa conta?’, questiona Neto sobre decisão do MP

    Ministério Público recorreu à Justiça para prefeitura disponibilizar 100% da frota de ônibus na cidade

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    O prefeito ACM Neto comentou na manhã desta quarta-feira (7) a decisão do Ministério Público da Bahia (MP-BA) de recorrer à Justiça para pedir que a prefeitura disponibilize 100% da frota de ônibus na cidade. Neto questionou quem vai pagar a conta, caso a decisão seja acatada, caracterizou a decisão como “inexequível” e mencionou alguns feitos da prefeitura em relação ao transporte público durante a pandemia do coronavírus. A declaração foi dada durante entrega da nova Biblioteca Denise Tavares, no bairro do Curuzu.

    “A grande questão é: quem paga a conta? Quem vai pagar essa conta? Se você perguntar a qualquer um, eu vou ser o primeiro a responder. Vocês querem ter 100% da frota rodando na cidade? Claro que sim. Sou o primeiro a dizer que sim. A recomendação do MP é uma decisão inexequível, a conta não fecha, os promotores sabem disso”, disse.

    Segundo Neto, durante a pandemia, a prefeitura teve um descasamento entre o número de passageiros transportados, efetivamente, e a quantidade de ônibus disponíveis na cidade. No início, segundo ele, eram transportados entre 27% e 28% do número total de passageiros, comparado com o período anterior à pandemia, e com 40% da frota disponível.

    “A medida em que o número de passageiros foi aumentando, nós também fomos aumentando a frota, até que chegamos, hoje, a uma situação que a cidade transporta 56% do número de passageiros e tem 80% da frota disponível. Quem é que está pagando a diferença dessa conta? A prefeitura”, disse Neto, que lembrou que uma de suas primeiras medidas em relação ao transporte público na pandemia foi a compra de bilhetes que seriam distribuídos para passageiros em situação de vulnerabilidade.

    “Fizemos uma compra de bilhetes no valor de R$ 5 milhões, depois tivemos que fazer uma intervenção em uma bacia, a da CSN, e a interdição foi feita para que duas coisas não acontecessem: para que os ônibus não parassem, essa foi a primeira preocupação, assegurar a manutenção do serviço naquela área e a segunda, que era não desempregar milhares de rodoviários e trabalhadores que trabalham nessa bacia, a CSN. Conseguimos salvar as duas coisas e a prefeitura assumiu um ônus terrível quanto a isso”, explicou.

    Neto também que quando a prefeitura precisou assumir a gestão da empresa CSN teve que assumir o ônus de trabalho e ônus de dinheiro. Segundo ele, a gestão municipal assumiu a garagem, compra de pneus, óleo dísel e peças de manutenção, além de pessoal.

    “A frota estava sucateada. Nós recuperamos mais de duas centenas de ônibus para colocar para rodar nessa bacia. A prefeitura está tendo que abrir e gerir garagem. Nunca imaginei que tivesse que chegar a essa situação. Mas a pandemia está aí e não fomos nós que criamos. Se não fosse a pandemia, não teria acontecido isso. E não é só Salvador que está com problema de transporte público, as principais capitais do Brasil estão vivendo isso. Podem conversar com qualquer prefeito. Os prefeitos estão tendo que se virar sozinhos”.

    O prefeito disse ainda que, nos cálculos da prefeitura, a conta a ser paga deve variar entre R$ 30 e R$ 45 milhões. “Estamos a quase 30 dias da eleição. Eu podia dar uma de populista e jogar para a plateia e dizer: vou colocar 100% da frota rodando na cidade. Se eu fizesse isso, eu quebraria a prefeitura no próximo ano, ia armar uma bomba para explodir no colo do próximo prefeito. Eu não vou fazer isso. O meu compromisso com a cidade é maior”.