Sociedade Protetora dos Desvalidos recebe reconhecimento da ONU

    O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ) e a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL) também receberam o reconhecimento

    Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) (Foto: reprodução/Pelourinho Dia e Noite)

    A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) reconheceu a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, como um local de memória da escravidão e da resistência negra. Sede da organização fica no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Centro da cidade. 

    Além da Sociedade, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ) e a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL) também receberam o reconhecimento.

    Com incorporação dos três espaços, o Brasil passa a contar com seis representantes na iniciativa, criada em 2024 para promover a conservação de locais associados à escravidão, ao tráfico de pessoas escravizadas e às diferentes formas de resistência ao sistema escravista.

    Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o reconhecimento reforça a importância de preservar a memória afro-brasileira.

    “Preservar a memória do povo negro é reconhecer a força de quem ajudou a construir a identidade cultural do nosso país. Esses espaços carregam histórias de dor, mas também de coragem, resistência e transformação. O reconhecimento da Unesco reafirma que a nossa ancestralidade precisa ser valorizada, respeitada e transmitida às futuras gerações. Cuidar desse patrimônio é também enfrentar o racismo, combater o apagamento histórico e garantir que a cultura afro-brasileira ocupe o lugar de reconhecimento que merece na história do Brasil”, ressaltou.

    Sobre a Sociedade Protetora dos Desvalidos

    A Sociedade Protetora dos Desvalidos representa a trajetória de organização coletiva e solidariedade da população negra. Fundada no século XIX, em Salvador, a instituição surgiu como espaço de apoio mútuo e proteção social, tornando-se referência histórica das estratégias de resistência e fortalecimento comunitário diante das desigualdades produzidas pela escravidão e de seus desdobramentos.

    Inicialmente, o local se chamava Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos. A partir de 1851, passou a se chamar Sociedade Protetora dos Desvalidos.

    Quando associados ficavam doentes, desempregados ou familiares destes viessem a falecer, a entidade era acionada como um ponto de apoio. Além disso, tratava-se de um espaço de convivência entre trabalhadores negros livres, que buscavam promoção individual e a oportunidade de um futuro melhor.