Sorria, você está sendo fotografado nas catracas de ônibus. Sabia disso?

    Duzentas pessoas tiveram o Salvador Card suspenso por incompatibilidade na biometria facial; assessor da Integra, Jorge Castro, diz que imagem "não é uma coisa privada"

    Foto: Divulgação

    “Sorria, você está sendo filmado” é um dos avisos mais encontrados atualmente. Prédios, empresas, vias públicas: são diversos os lugares onde a advertência pode ser avistada.

    Em Salvador, uma notícia chamou a atenção dos usuários de ônibus nesta semana. Ao todo, 200 pessoas tiveram o uso Salvador Card ou do Bilhete Avulso, bilhetes eletrônicos que dão direito à meia passagem ou gratuidade, suspenso por seis meses sob acusação de terem utilizado os cartões indevidamente.

    Os passageiros foram flagrados por novas microcâmeras implantadas no dispositivo onde as passagens são registradas. A tecnologia faz a biometria facial dos usuários para que a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e o Consórcio Integra comparem as imagens que constam nos bilhetes às fotos registradas pela máquina.

    A instalação dos aparelhos reacendeu a discussão sobre a privacidade, o que, para o assessor de Relações do Trabalho da Coordenação de Auditoria da Integra, Jorge Castro, “não é uma coisa privada”.

    “Você tem sua foto no cartão e, se o sistema checar irregularidade, o passageiro vai precisar comprovar que não houve ilegalidade. É uma lei. Isso é normal”, argumentou, em entrevista ao bahia.ba, nesta sexta-feira (4).

    O representante da Integra também comparou o sistema à vigilância nas agências bancárias: “Lá, você está sendo filmado o tempo todo. Para ver se a pessoa que está utilizando o cartão é você. Não é uma questão de privacidade”.

    Castro afirmou à reportagem que os que se sentirem injustiçados poderão recorrer e provar que não houve ilegalidade. Em caso de reincidência, o benefício é suspenso terminantemente.

    Aos soteropolitanos que fizeram o Salvador Card há anos, tempo suficiente para que mudanças físicas ocorram, ele recomenda tranquilidade. “Há detalhes do rosto que são inconfundíveis”, continuou.

    Na avaliação da estudante de Direito da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Luzia Macêdo, a Integra falhou no serviço de divulgação. “Eu não sabia que aquela caixa eletrônica tirava fotos minhas. Sabia que sou filmada nos ônibus, pois isso está expresso em avisos nos coletivos. As fotos tiradas pelo dispositivo, no entanto, não são do nosso conhecimento. A divulgação foi uma falha grande, só fiquei sabendo pelo Facebook ontem (quinta-feira)”, declarou a universitária ao portal.

    A aluna conta que chegou a conferir o Diário Oficial do Município para verificar se não estava na lista: “Fui olhar para ver se, por algum equívoco, meu bilhete havia sido suspenso”. Jorge Castro, no entanto, minimiza. “Quando você faz o cartão é avisado que o sistema tira fotos suas”, justificou.

    Dos 2,6 mil ônibus da capital baiana, apenas 200 não contam com a biometria facial, o que deve ser resolvido até o final deste ano.