Vereadora vê cancelamento do Pé na Escola como vitória após suspeitas de irregularidades

    “Isso só comprova a privatização que denunciamos da tribuna da Câmara", afirmou Aladilce

    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) afirmou que o cancelamento do programa Pé na Escola, determinado por portaria publicada nesta sexta-feira (24) pela Prefeitura de Salvador, representa uma “vitória” de entidades e setores que vinham criticando a execução da iniciativa.

    “Isso só comprova a privatização que denunciamos da tribuna da Câmara, em detrimento da construção de escolas e contratação de professores”, declarou a parlamentar, ao comentar a decisão oficializada pela Portaria nº 261/2026.

    A medida, assinada pelo secretário municipal da Educação, Thiago Martins Dantas, ocorre após denúncias apresentadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público da Bahia. O ato também determina a realização de auditoria administrativa para apurar possíveis irregularidades no sistema de distribuição de vagas da rede municipal.

    Segundo a portaria, a auditoria deverá incluir análise detalhada de registros de acesso e alterações no sistema, identificação de usuários envolvidos nas movimentações, verificação da integridade dos dados de capacidade das turmas e proposição de medidas corretivas.

    A decisão foi motivada pela identificação de “movimentações atípicas” no sistema, com alterações consideradas inconsistentes na disponibilidade de vagas. Como consequência, todas as matrículas e contemplações realizadas pelo programa em 2026 foram anuladas.

    O tema também foi alvo de críticas da APLB-Sindicato, que realizou protesto na quinta-feira (23). De acordo com a entidade, “as irregularidades apontadas envolvem falta de transparência, contratos suspeitos, redução artificial de vagas em escolas públicas, o que poderia ter direcionado indevidamente alunos para instituições privadas credenciadas pelo programa”.

    Ainda segundo a portaria, foram identificados acessos em horários incomuns e mudanças recorrentes na capacidade das turmas, o que levantou suspeitas sobre a integridade das informações do sistema.