Câncer de endométrio tem até 95% de chance de cura quando diagnosticado em fase inicial
Principal sintoma de alerta é sangramento vaginal fora do ciclo ou na menopausa; exame para diagnóstico é o ultrassom transvaginal

Depois da mama, o tipo de câncer mais comum entre as mulheres ocorre no útero: anualmente são 23 mil brasileiras diagnosticadas com câncer neste órgão. O útero tem um desenho que se assemelha a uma pera. Na parte de baixo fica o colo do útero, enquanto na extremidade superior fica o corpo do útero. No corpo do útero, a camada interna é chamada de endométrio.
Enquanto o câncer de colo de útero, com mais de 16 mil novos casos anuais, é o tumor ginecológico mais comum entre as brasileiras, o câncer que ocorre no endométrio, o mesmo que foi diagnosticado na apresentadora Fátima Bernardes, é o terceiro nessa categoria, com 6.540 novos casos anuais. No mundo, o câncer de endométrio registra 382.069 casos e 89.929 mortes anuais.
Quando diagnosticado em fase inicial, a chance de cura (a paciente estar viva cinco anos após o tratamento) supera os 95%. No entanto, o principal desafio está justamente em descobrir a doença precocemente em um cenário de não existência de um programa de rastreamento para esta doença. Ao contrário do câncer de colo do útero, que pode ser prevenido por meio de vacina contra o vírus HPV e rastreado por exames preventivos como o Papanicolau, o câncer de endométrio não se encaixa nesse perfil.
O diagnóstico de câncer de endométrio ocorre por ultrassom transvaginal quando há suspeita clínica, sendo que a principal delas, 90% dos casos, é sangramento vaginal (fora do ciclo menstrual e, principalmente, na menopausa). Embora a maioria dos casos ocorra na pós-menopausa, a doença também acomete mulheres jovens. Como complemento ao ultrassom, a histeroscopia pode ser realizada para melhor visualização. A biópsia endometrial pode ser feita em consultório, inserindo um tubo flexível.
Tratamento
O tratamento padrão para câncer de endométrio é a histerectomia abdominal total com salpingooforectomia bilateral, que significa a retirada de todo o corpo do útero e dos dois ovários.
“Porém, a decisão pela melhor forma de tratar cada caso leva em conta o tipo histológico, tamanho do tumor, se invadiu o miométrio (localizado também no corpo do útero) e se há comprometimento dos linfonodos (íngua), fator que aumentaria o porte do procedimento, com necessidade da retirada dos linfonodos pélvicos e, em algumas situações, em torno dos grandes vasos abdominais (aorta e veia cava). Em alguns casos específicos é possível optar pela preservação de fertilidade com uso de progesterona exógena”, explica o cirurgião oncológico Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
Sintomas principais: Sangramento vaginal anormal; sangramento após a menopausa; menstruação irregular, menstruação prolongada, sangramento intermenstrual ou sangramento menstrual excessivo; esfregaço de Papanicolau anormal
Quando a doença está avançada, as pacientes podem apresentar: ascite (acúmulo anormal de líquidos dentro da cavidade abdominal; icterícia (amarelecimento da pele e olhos devido à obstrução biliar); obstrução intestinal por metástases abdominais; desconforto respiratório de metástases pulmonares.
Fatores de risco: uso de hormônios (estrogênio sem progesterona); obesidade; menopausa tardia: após os 52 anos; menometrorragia: menstruação hemorrágica; síndrome de Stein-Leventhal: infertilidade, menstruação anovulatória, hirsutismo ou outras anormalidades endócrinas; história familiar de múltiplos cânceres; história pessoal de câncer de mama ou câncer retal; idade: é mais comum após os 60 anos, sendo que o pico se dá a partir dos 70 anos.
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