Exames genéticos podem ajudar na prevenção de câncer de mama e de ovário hereditários
Estima-se que entre 5 e 10% dos casos da doença têm associação a componente hereditário

Estudos epidemiológicos revelam que entre 5 e 10% dos casos de câncer são atribuídos a fatores hereditários, quando uma mutação genética transmitida de geração para geração aumenta as chances de uma pessoa desenvolver a doença. Em Salvador, o NOB (Núcleo de Oncologia da Bahia) – Oncoclínicas conta com um serviço de aconselhamento genético, que tem como objetivo avaliar o risco do indivíduo desenvolver câncer de mama e ovário hereditários por meio de uma criteriosa análise da história clínica pessoal e familiar do(a) paciente. O aconselhamento é indicado para pessoas que tiveram diagnóstico de câncer em idade jovem e/ou que possuem importante história familiar de câncer.
É possível realizar essa investigação através de exames feitos com amostras de sangue ou saliva. O exame consiste no sequenciamento de um painel de genes específicos, entre eles os genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis por até 70-80% dos casos de câncer de mama e ovário hereditários. O exame é recomendado para indivíduos diagnosticados quando jovens, independentemente da história familiar, ou quando há um importante histórico familiar de câncer que sugira a possibilidade de mutação genética hereditária na família.
Após a identificação de uma mutação patogênica, associada a maior risco de desenvolvimento de câncer ao longo da vida, o ideal é que familiares de primeiro grau também realizem o teste (mãe, pai, irmãos e/ou filhos) para que medidas de prevenção para estes também possam ser discutidas. “O diagnóstico de uma mutação patogênica em algum dos genes em que se conhece a associação a maior risco de desenvolvimento de câncer não é uma sentença de que esse indivíduo irá desenvolver a doença, mas, neste caso, a probabilidade é maior do que na população em geral e, por isso, medidas específicas de rastreamento e prevenção devem ser abordadas na consulta de aconselhamento genético”, explica a oncologista Luciana Landeiro, da equipe do NOB Oncoclínicas
“Apesar da hereditariedade ser um dos fatores de risco para casos de câncer, vale lembrar que a genética familiar representa um percentual relativamente baixo de todos os diagnósticos da doença. O estilo de vida é um dos principais responsáveis pelo surgimento de vários tipos de câncer, principalmente fatores como sobrepeso, obesidade, tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de bebida alcoólica e hábitos alimentares inadequados”, explica Luciana Landeiro. “Manter-se no peso adequado, fazer atividade física regular, ter uma alimentação saudável, não fumar e realizar os exames de rotina são grandes aliados da saúde em geral e na prevenção de vários tipos de câncer”, conclui a médica.
Caso Angelina Jolie
Desde que a atriz norte-americana Angelina Jolie declarou, em 2013, ter realizado um exame que apontava um risco aumentado de desenvolver câncer, muitas mulheres têm considerado o teste genético, que detecta alterações no DNA que podem levar ao surgimento de tumores malignos, como uma espécie de pré-diagnóstico.
No caso da atriz, o resultado indicava uma mutação em genes especificamente relacionados aos tumores de mama e ovário, elevando em até 87% a probabilidade de desenvolver a doença, o que levou Jolie a realizar uma mastectomia bilateral preventiva, que consiste na retirada de ambos os seios sem que haja um diagnóstico de câncer.
À época, Jolie declarou que contava com um histórico familiar de câncer de mama e de ovário e que optou pela cirurgia com apoio de uma equipe médica qualificada, que a apoiou na tomada de decisão. Em 2015 a atriz realizou ainda uma nova cirurgia, desta vez para retirada dos ovários e trompas, já que determinadas mutações genéticas, incluindo mutações em BRCA 1 e 2 se associam também a maior risco de tumores em outros locais além da mama, como os ovários.
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