Luislinda quer ser a negra baiana que o Movimento Negro não quer

    Se dizia ontem em Brasília que a jogada dela é tentar sobreviver no ministério como representante da negritude baiana

    Frase da vez

     

    “Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um”

    Fernando Pessoa, poeta português (1888-1935)

     

    Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil
    Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

     

    Luislinda Valois já vivia a solidão política como ministra da Secretaria de Direitos Humanos de Michel Temer quando o PSDB, o partido que a guinchou ao ministério, rompeu com o governo. Agora ela se desfiliou e ficou mais só ainda.

    Sem partido, sem bancada e sem padrinhos, e ainda com a desastrada declaração de se dizer numa situação análoga a de um escravo por não conseguir acumular os salários de ministra e desembargadora aposentada, o que estaria pretendendo ela com o ato de se desfiliar do PSDB?

    Se dizia ontem em Brasília que a jogada dela é tentar sobreviver no ministério como representante da negritude baiana.

    Cola? Só se for com Temer. Cá, líderes do movimento negro não querem nem ouvir falar nisso. Dizem que ela nunca os representou, nem antes e nem agora.

    Barrada no baile

    Aliás, em 24 de maio deste ano, um grupo de mães e pais de santo de terreiros tombados de Salvador foram à ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, conversar sobre o processo que discute o abate de animais para fins religiosos, ainda hoje em tramitação na Corte.

    Luislinda apareceu dizendo que queria entrar.

    Cármen Lúcia perguntou:

    — Vocês querem que ela entre?

    A resposta foi categórica:

    —Não.

    Luislinda disse que foi barrada por Marcelo Rezende, o jornalista recém-falecido, que por sua vez afirmou:

    — Eu não barrei, mas barraria.