Decreto fortalece Santos Cruz e permite que ele avalize até nomeação de reitores

    Nos últimos dias, ministro foi alvo de série de ataques por parte da ala olavista do governo Bolsonaro

    Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    Atacado por olavistas na semana passada, o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz se fortaleceu no governo com um decreto publicado nesta quarta-feira (15), informa a jornalista Anréia Sadi em sue blog, no portal G1.

    Segundo a publicação, o dispositivo dá poderes à Secretaria de Governo, pasta comandada por Santos Cruz permitindo que ele avalizar até mesmo indicações e nomeações do Executivo.

    Diz trecho do decreto: Avaliar as indicações ‘de dirigente máximo de instituição federal de ensino superior’ e indicações para ‘nomeação ou designação para desempenho ou exercício de cargo, função ou atividade no exterior’.

    Segundo o blog, a partir de 25 de junho, a Secretaria de Governo terá de dar aval a todas as nomeações/indicações de cargos como, além de reitores de universidades federais, embaixadores, secretários-executivos, cargos DAS [de confiança] níveis 3, 4, 5 e 6. A avaliação será feita com base na “conveniência e oportunidade administrativa” das indicações.

    À publicação, o ministro disse que o decreto “é para organizar melhor o sistema de nomeações” e que foi “feito em conjunto”. São cinco autoridades que assinam o decreto: além do presidente Jair Bolsonaro, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI), o próprio Santos Cruz e Wagner Rosário (CGU).

    O ato do Executivo fortalece Santos Cruz uma semana após o ideólogo Olavo de Carvalho disparar ataques ao núcleo militar do governo. Olavo é conselheiro do presidente Bolsonaro.

    Santos Cruz foi um dos principais alvos do ideólogo, e recebeu manifestações de solidariedade – por exemplo, do general Villas Boas, ex-comandante do Exército e um dos militares mais respeitados do país.

    Na terça-feira (14), o governo precisou negar especulações de que Santos Cruz seria demitido. Ao blog, o ministro Augusto Heleno chegou a dizer que não existia “nenhum fundamento” na exoneração de Santos Cruz.