
Já que o Seminário Brasileiro de Barragens (começa hoje no Fiesta) botou a água na ordem do dia, um aviso funesto: as notícias que nos chegam são péssimas.
Se, por exemplo, Luiz Gonzaga, o rei do baião, fosse fazer hoje Riacho do Navio, não teria o mesmo cenário para inspirar-se. A letra diz:
Riacho do Navio/Corre pro Pajeú/o rio Pajeú vai despejar no São Francisco/O rio São Francisco vai bater no meio do mar, lá iá, lá iá, lá iá, lá iá.
O senador Otto Alencar dá um diagnóstico funesto:
— O Riacho do Navio está morto. Como estão mortos todos os afluentes do São Francisco, de Sobradinho até a foz.
Utinga e Itapicuru
E também o São Francisco não bate mais no meio do mar. O mar é que invade ele, 50 km adentro.
Quarta última a Assembleia fez amplo debate sobre o Rio Utinga. Tem 80 km de extensão, deságua no Marimbus, o pantanal da Chapada. Metade morreu, graças ao excesso de retirada de água para irrigação. Pergunta a Elter Bastos (PSL), prefeito de Wagner, presente ao debate:
— O senhor acha que daqui sairá alguma providência.
— Não.
Também presente, o deputado Adebal Caldas (PP):
— Quero chamar a atenção para o Rio Itapicuru. Está morrendo a olho nu.
— Lá tem irrigação?
— Não. Lá é assassinato puro e simples. Estão matando as matas ciliares.
Do jeito que vai, barragens só com água da chuva de verão.
Pedra do Cavalo
E já que o papo é água, como vai Pedra do Cavalo, a Barragem do Paraguaçu no enclave Cachoeira-São Félix que abastece 60% da capital baiana?
Evilásio Fraga, presidente do Comitê da Bacia do Paraguaçu, diz que Pedra do Cavalo acumula 5,5 bilhões de metros cúbicos:
— A água de lá vem da caatinga, das chuvas do verão. Além disso, Salvador tem o aquífero de Dias D’Ávila. Em termos de água, é a capital mais bem servida do Brasil.

