Lei contra a calúnia, a pretensão de mudar a alma de um jogo sujo. Será que vai dar?

    Claro que detonar a tradição inicialmente citada e limpar o jogo, não vai. Mas é um avanço

    Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
    Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados

     

    Calúnia é acusar alguém pública e injustamente de um crime, difamação é espalhar informações inverídicas que atingem a honra de alguém, e injúria é dizer algo desonroso sobre outrem. O trio aí é tão próximo e afinado que até parecem irmãos siameses.

    O trio também é algo tão velho nas disputas políticas que induziu Phillip Knightley, jornalista norte-americano que foi correspondente de guerra no Vietnã a escrever o livro ‘A primeira vítima’. Diz logo na abertura que todas as vezes que espouca uma guerra “a primeira vítima é sempre a verdade”.

    Avanço

    Os embates políticos, essa guerra sem tréguas pelo poder, não de agora, mas desde os primórdios, sempre foram permeados pelo trio maldito, tão contaminados que até parece agora potencializados nas redes com o novo nome de fake news. A sujeira, à lá antiga ou moderna, é algo tão comum que até parece condenar o jogo a ser definitivamente sujo.

    E exatamente contra isso que está valendo desde anteontem a lei do deputado Félix Mendonça Jr. (foto), sancionada quarta pelo presidente Bolsonaro, que prevê pena de prisão de dois a oito anos, além de multa, para quem acusar falsamente um candidato a cargo político com o objetivo de afetar a sua candidatura.

    O próprio Félix foi acusado em 2011 de compra de votos, com carros plotados em lugares que ele nunca foi, ou como diz o próprio, ‘um filme com ator, diretor e maquiagem’. E a lei vai colar?

    — Espero que sim. É uma contribuição para a moralidade no jogo político.

    Claro que detonar a tradição inicialmente citada e limpar o jogo, não vai. Mas é um avanço.