Falar de Salvador nos dias de hoje e não lembrar do Pagodão, é o mesmo que falar de Candeias e não associar ao Arrocha. Ou citar o Pernambucano e não lembrar do Frevo e porque não do Brega Funk?
Ritmo característico da periferia baiana, o pagodão ultrapassou as fronteiras do som, que antes marginalizava o ritmo vindo das favelas e se tornou um dos maiores representantes da música baiana.
Mas afinal, qual a diferença entre o PAGODE e o PAGODÃO. Perceba que ao longo do início do texto a palavra usada para descrever o gênero não foi o simples pagode, como é chamado em todos os cantos do Brasil.

O bahia.ba participou nesta sexta-feira (13) do lançamento do projeto Skol Pagodão, que promete abraçar desde o gigantes do pagode aos novos nomes da cena musical baiana e dar ainda mais visibilidade para o gênero, e aproveitou para perguntar aos principais nomes da cena se existe uma diferença entre os termos.
Para Flavinho, ex-Pagodart e um dos percursores do PAGODÃO, o termo serve para descrever aquele swing característico do soteropolitano. “O pagode para a gente aqui em Salvador é aquele sambinha raiz, e o Pagodão é aquela quebradeira para quem gosta de dança, quem gosta de ver o pessoal pulando. É aquele groove, e nós viemos dessa evolução né? Então o pagodão é a quebradeira”, brinca o artista.

Revelação do ano no gênero, John, da banda O Poeta, afirma que o termo representa o crescimento do ritmo. “Eu penso assim, Pagodinho, Pagode e Pagodão. A gente já foi um pagodinho, lá no começo, depois passamos para o pagode que foi quando conseguimos atingir outros públicos, e agora somos o Pagodão, porque o pagode conseguiu chegar no Brasil todo. Conseguimos levar a nossa música para todos os cantos do país. Nós (cantores do ritmo) somos gigantes”, afirma.
Já Márcio Victor, acredita que o Pagodão é uma identidade e representa a realidade de um povo além de defender os interesses. “O Pagodão chama todo mundo curtir. Ele é um estilo de música que defende os interesses do seu povo, um povo negro, da periferia, que muitas vezes é esquecido”.

Como dito, o projeto Skol Pagodão promete abraçar e promover o gênero não só na capital. Em entrevista ao bahia.ba, o regional de Marketing da Ambev, Harry Racz, contou um pouco sobre a reformulação da marca quando se fala de ritmos baianos. “Esse projeto fala muito sobre os atributos pelos quais o consumidor reconhece a marca, que é democracia, inclusão e inovação. Querendo ou não o Pagodão é um estilo que é muito associado a Salvador, ele é inovador. As principais músicas do Carnaval foram associadas ao pagodão, então a gente vê que esse ritmo e a Skol tem uma sinergia boa”.

Uma das primeiras ações realizadas pela cervejaria com o projeto será o retorno o Palco Pagodão no Salvador Fest, que acontece neste domingo (15), no Parque de Exposições.
Além desta ação, a marca contrato com os primeiros artistas parceiros, Márcio Victor (Psirico), Bruno Magnata (La Fúria), John Ferreira, (O Poeta) e Lincoln & Duas Medidas, e deve manter o radar ligado para a descoberta de novos talentos musicais.
“Nossa ideia é conseguir abraçar os artistas que são renomados, como Márcio Victor, mas a nossa grande ambição é conseguir dar luz para os novos talentos. Então estamos nos organizando para prestar esse apoio ao artistas que querem crescer e levar essa marca para frente”.

