Vazamento de delação é ‘objetivo mesquinho de vingança’, diz Dilma

    A presidente fez pronunciamento no Palácio do Planalto para se defender das acusações feitas pelo senador Delcídio do Amaral durante investigações da Lava Jato

    Em pronunciamento no Palácio do Planalto na tarde desta sexta-feira (4), a presidente Dilma Rousseff manifestou “o mais profundo inconformismo” em relação à “desnecessária condução coercitiva”, a qual foi submetido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela manhã. Ao lado de 12 ministros e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, a mandatária demonstrou seu apoio ao antecessor e comentou o episódio de condução coercitiva. “Quero manifestar o meu mais absoluto inconformismo com o fato de o ex-presidente Lula que, por várias vezes, compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos perante as autoridades, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar mais um depoimento”, disse.

    A petista contestou ainda o conteúdo do depoimento em delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), em que é citada por tentativa de interferir nas investigações da Operação Lava Jato, por meio da nomeação de um ministro do STJ, para beneficiar empresários denunciados na operação, e de ter conhecimento sobre o esquema de corrupção na Petrobras. “Do ponto de vista institucional, não teria nenhuma razão a pedir com um senador para conversar com um juiz. Não é o senador que participa dos processos de nomeação dos ministros do STJ e nem do Supremo. Nomeei 16 ministros do STJ e cinco do Supremo. É absolutamente subjetiva e insidiosa a fala do senador, se ela foi feita”, declarou.

    A presidente lamentou também o vazamento das informações sobre a “hipotética delação premiada” que teria como “objetivo único” atingir a ela e ao governo, em um desejo de “vingança” por parte de Delcídio, que foi líder do governo entre abril e novembro de 2015, quando foi preso na Operação Lava Jato, acusado de tentar obstruir as investigações. De acordo com os investigadores, o parlamentar teria tentado obstruir o prosseguimento das apurações com a oferta de uma mesada de R$ 50 mil e fuga para a Espanha para o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação.