Ramos e Heleno dizem que Bolsonaro mencionou PF em reunião; versão contraria fala do presidente

    "Não existem essas palavras", sustentou o mandatário no mesmo dia em que seus ministros prestaram depoimento

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) afirmaram que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mencionou o nome da Polícia Federal ao cobrar relatórios de inteligência.

    Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a versão, dada em depoimento à própria PF na terça-feira (12), conflita com a declaração de Bolsonaro, de que não citou o nome da corporação na reunião ministerial de 22 de abril. Em entrevista no mesmo dia, o mandatário declarou que “não existe no vídeo a palavra Polícia Federal, nem superintendência. “Não existem essas palavras”, sustentou.

    De acordo com Ramos, o presidente “se manifestou de forma contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin [Agência Brasileira de Inteligência], Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros”​.

    Ele afirmou que Bolsonaro ainda “acrescentou que, para melhorar a qualidade dos relatórios, na condição de presidente da República, iria interferir em todos os ministérios para obter melhores resultados de cada ministro”.

    “Vocês precisam estar comigo”, disse Bolsonaro, de acordo com o depoimento do ministro Ramos, ao qual a Folha teve acesso.

    A mesma versão de Ramos foi dada por Augusto Heleno. Em seu depoimento, o chefe do GSI disse que Bolsonaro, na reunião, cobrou “de forma generalizada” todos os ministros da área de inteligência, “tendo também reclamado da escassez de informações de inteligência que lhe eram repassadas para subsidiar suas decisões, fazendo decisões específicas sobre sua segurança pessoal, sobre a Abin, sobre a PF e sobre o Ministério da Defesa.”

    O vídeo da reunião foi exibido na terça-feira na Polícia Federal em Brasília. Sergio Moro acompanhou presencialmente ao lado de integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República), advogados do ex-ministro e integrantes do governo federal, além de policiais federais.

    A gravação do encontro, ainda sob sigilo, integra o inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as acusações que Moro fez a Bolsonaro de interferência na Polícia Federal. O ex-juiz da Lava Jato deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril e fez uma série de acusações contra o presidente.​