Carla Zambelli usou STF e defesa de Moro ‘há 6 anos’ para convencer ex-juiz

    Ex-juiz federal deixou Ministério da Justiça depois de Bolsonaro ter exonerado diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo

    Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados / CP

    Mensagens enviadas pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) ao ex-ministro Sergio Moro, pelo WhatsApp, mostram que ela propôs uma conversa com Jair Bolsonaro para garantir a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da República e o ex-titular da Justiça estão no centro de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), após acusações de Moro sobre interesses políticos de Bolsonaro para mudar o comando da Polícia Federal.

    De acordo com informações do G1, na mesma troca de mensagens Zambelli ainda disse que Bolsonaro cairia, caso ele saísse do governo. Em resposta, Moro afirmou que já tinha falado com o presidente.

    “O Sr fica só para não criarmos esta crise. Vcs ganharam sozinhos. Vcs 2 são 2 bicudos. O Sr é frio e ele é orgulhoso. Talvez tendo uma 3a pessoa, a gente consiga resolver”, escreveu Zambelli.

    A deputada ainda sugere que Moro aceite Alexandre Ramagem na direção-geral da Polícia Federal para ir em setembro para o Supremo. A troca de mensagens foi no dia 23 de abril, mesmo dia em que Zambelli informou a Moro que estava no Ministério da Justiça e pediu 5 minutos.

    “O Planalto que pediu, mas estou vindo não como parlamentar. Mas como sua admiradora. Pelo NasRas. Há 6 anos te defendo. Me ouve só um pouco. Tudo o que os criminosos querem é a sua saída. Não dê esse desgosto a ele, por favor”, escreveu Zambelli.

    Moro respondeu que, se Bolsonaro anulasse o decreto de exoneração, “ok”. A deputada disse que tentaria falar com ele.

    No dia seguinte, no entanto, o decreto de exoneração de Maurício Valeixo foi publicado. Moro alegou que não sabia da publicação, nem tinha assinado qualquer documento a respeito. Naquele dia 24 de abril, Moro anunciou sua saída do Ministério da Justiça.

    A saída do ex-juiz federal desencadeou uma crise política no Planalto, e levou à abertura de inquérito no Supremo. Nesta semana, investigadores da PF ouviram delegados e ministros apontados por Moro em depoimento como testemunhas do interesse de Bolsonaro em mudar o comando da corporação. Zambelli também foi ouvida na condição de testemunha. Outra prova citada por Moro foi a gravação da reunião ministerial de 22 de abril, cuja exibição aconteceu no início da semana.