Após 30 anos, Collor pede desculpas por confisco nas poupanças

    Com o Plano Collor, o governo confiscou cerca de US$ 100 bilhões, o que representava 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil na época

    Foto: Antonio Cruz/ Agencia Brasil

    O ex-presidente Fernando Collor pediu desculpas aos brasileiros pela medida econômica do seu governo em que confiscou as cadernetas de poupança por 18 meses em 16 de março de 1990, como parte do Plano Collor. O pedido de “perdão” aconteceu através das redes sociais na manhã desta segunda-feira (18), após 30 anos do ocorrido.

    Pelo Twitter, Collor escreveu que entendia que este era o momento de falar sobre o assunto com mais clareza e se explicou. “Quando assumi o governo, o país enfrentava imensa desorganização econômica, por causa da hiperinflação: 80% ao mês!”, disse.

    O ex gestor também afirmou que a situação afetou, principalmente, os mais pobres por causa do poder de compra onde eles ficaram prejudicados. “Os mais pobres eram os maiores prejudicados, perdiam seu poder de compra em questão de dias, pessoas estavam morrendo de fome. O Brasil estava no limite!”, completou.

    Segundo ele, durante a preparação das medidas do governo na época, ele tomou conhecimento de um plano “economicamente viável”, mas que era sensível na questão política. Era uma decisão dificílima. Mas resolvi assumir o risco. Sabia que arriscava ali perder a minha popularidade e até mesmo a Presidência, mas eliminar a hiperinflação era o objetivo central do meu governo e também do País.”, escreveu Collor.

     

     

    Plano Collor

    Segundo o Estadão, com o Plano Collor, o governo confiscou o equivalente a cerca de US$ 100 bilhões, o que representava 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil na época. Além do dinheiro da poupança, o Banco Central reteve aplicações financeiras e recursos em conta corrente.

    Os saques eram limitados a 50 mil cruzados novos, o que hoje equivale a R$ 8,3 mil. O restante era devolvido em 12 parcelas iguais a partir de setembro de 1991, com juros a 6% ao ano e correção monetária.

    Após um ano do início da restituição dos recursos, Fernando Collor deixou a presidência da República após um impeachment decorrente de atos de corrupção em seu governo.