Atos antidemocráticos podem ter gerado lucro de mais de R$150 mil, aponta PGR

    Suspeita é de que parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas atuariam em conjunto em um “negócio lucrativo”

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem ter lucrado mais de R$ 150 mil com a divulgação de atos antidemocráticos, que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

    A suspeita é que parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas atuariam em conjunto em um “negócio lucrativo” de divulgação de manifestações contra as instituições democráticas.

    De acordo com as investigações conduzidas pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques, há indícios de que os alvos passaram a disseminar “mensagens apelativas” em redes sociais em busca de dinheiro. O inquérito conduzido apura o financiamento das manifestações. As investigações apontam ainda que dois canais pró-governo no Youtube podem ter embolsado até R$ 157 mil com transmissões dos discursos de Bolsonaro em protestos recentes.

    A arrecadação viria de parcerias, assinaturas, eventuais compras de produtos oferecidos pelos canais e até de anúncios pagos por empresas e órgãos públicos.

    “Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros”, diz Jacques em uma das peças do inquérito.

    Live presidencial

    O vice-procurador cita dados de relatórios de uma empresa especializada em análises estatísticas de páginas do YouTube, segundo os quais, a Folha Política, por exemplo, pode ter faturado entre US$ 6 mil e US$ 11 mil com a live do presidente do dia 3 de maio em frente ao Palácio do Planalto.

    Já o vídeo da participação de Bolsonaro no ato de 19 de abril, dia do Exército, pode ter rendido ao Foco do Brasil, segundo a PGR, entre US$ 7,55 mil e US$ 18 mil.

    A manifestação em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, que pedia intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF, foi o ponto de partida para a abertura do inquérito que apura a organização e o financiamento de manifestações contra a democracia.

    As informações são da CNN Brasil