Sites pró-Bolsonaro apagaram mais de 2 mil vídeos em junho, mostram levantamentos

    Exclusões ocorreram em meio ao andamento do inquérito do STF que investiga a propagação de fake news e ataques a corte

    Imagem: Reprodução/TV Globo

    Levantamentos de empresas de análise digital mostram que sites de apoio ao presidente Jair Bolsonaro apagaram centenas de vídeos desde maio, na esteira do andamento de um inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga a propagação de fake news e ataques a corte.

    A informação foi revelada na segunda-feira (22) pelo Jornal Nacional (TV Globo), com base em dados do Monitor do Debate Político no Meio Digital, um projeto da Universidade de São Paulo (USP) que acompanha grupos de diferentes vertentes na internet.

    Em abril e maio, os pesquisadores encontraram 1.874 menções ao Supremo Tribunal Federal (STF) em canais de vídeo que dão apoio ao governo Bolsonaro.

    “Uma parte delas fazia críticas completamente lícitas e outra parte fazia ataques, inclusive fazendo citação ao fechamento do STF. Por meio de uma intervenção militar ou por meio de uma intervenção direta do poder executivo, algo parecendo um golpe, elas comprometem o próprio regime democrático”, disse Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da USP.

    Ao menos 25 dos 100 vídeos mais vistos, segundo os pesquisadores, foram apagados por quem postou, e, por isso, não estão mais disponíveis.

    Vídeos deletados

    Outro levantamento mostra o número de vídeos de canais bolsonaristas que saíram do ar desde junho do ano passado.

    • junho/2019: 8
    • janeiro/2020: 1.136
    • maio: 1.112
    • junho: 2.015

    De acordo com Guilherme Felitti, fundador da Novelo Data, empresa que realiza o levantamento, esses vídeos foram retirados da lista do site, ou só podem ser acessados por meio de um link.

    Inquérito das fake news

    Em 27 de maio, a Polícia Federal cumpriu em cinco estados e no Distrito Federal 29 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Entre os alvos, o blogueiro Allan dos Santos, o empresário Luciano Hang, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e a extremista de direita Sara Geromini. O inquérito investiga a divulgação de informações falsas sobre o STF e ameaças a ministros e a parentes deles.