Apagão no Amapá: Relatórios da ONS entre abril e outubro indicavam falha em subestação

    Informações divulgadas pelo jornal Estadão indicam que o ONS reportou que um dos três transformadores estava parado e que havia risco de sobrecarga

    Foto: Divulgação/Ministério de Minas e Energia

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi informada sete vezes sobre os problemas do Amapá antes do apagão que deixou treze das dezesseis cidades do estado sem luz. O episódio, que ocorreu em 3 de novembro, deixou o estado por dias sem energia e levou ao adiamento das eleições municipais.

    De acordo com informações de O Estado de S.Paulo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reportou mensalmente que um dos três transformadores da subestação Macapá estava parado para manutenção. Em outras quatro vezes, alertou sobre o risco de sobrecarga.

    O primeiro relatório data de abril de 2020 sobre dados referentes a março daquele mesmo ano. O alerta foi repetido em maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro. O ONS também relatou o risco de problemas no fornecimento do serviço e que a Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), responsável pela subestação que pegou fogo, adiou o prazo para conserto do transformador danificado.

    Ainda segundo o Estadão, a empresa informou inicialmente que o equipamento voltaria a funcionar em janeiro, depois fevereiro e posteriormente em março. Quando o problema passou a fazer parte do relatório mensal do ONS, a empresa disse que o reparo seria concluído em maio. O último boletim antes do apagão indicava 4 de novembro como novo prazo.

    A subestação deveria ter três transformadores disponíveis e em pleno funcionamento, mas apenas dois estavam funcionando. Com o incêndio, um dos equipamentos foi danificado e outro ficou comprometido por sobrecarga e parou de funcionar. O terceiro já não estava operando desde dezembro de 2019.

    Pelo menos 225 funcionários da agência têm acesso a relatórios como esse, de um total de 672, segundo a publicação. A fiscalização das empresas do setor elétrico cabe exclusivamente à Aneel. A agência reconheceu que não enviou equipes para fiscalizar a subestação ao londo de 2020.

    O apagão no Amapá é apurado pela Aneel, mas ainda não há prazo para conclusão do processo. A LMTE afirmou que não houve negligência na operação e que as causas do apagão ainda estão sendo investigadas.