Com o fim de março, o que dizer às mulheres?
Terapeuta analisa avanços no universo feminino

Artigo de Maria Amélia Martins*
Que temos a dizer às mulheres agora que findou o mês de março? E em todos os outros dias do ano em que vivemos o desafio de ser mulher? O que mais me permito dizer às mulheres é que estamos avançando. Pode até parecer que não, diante de tantos atos violentos que acontecem todos os dias, todas as horas. Mas estamos avançando, sem dúvidas.
Porém há mais – e muito – para avançar. Quanto tempo precisamos ainda para que a mulher seja respeitada como ser humano de um gênero diferente do homem que culturalmente se estabeleceu como dominador? Esta cultura inspirada no homem branco, heterossexual e eurocêntrico, que insiste em ocupar espaço de poder, achatando os que não se enquadram neste contexto de dominância.
Quanto tempo necessitaremos para sermos livres? Para fazermos nossas escolhas sem estarmos atreladas a alguém que insiste em apontar a direção que devemos seguir? Quantas gerações ou mesmo quantos séculos estaremos ocupando as alarmantes estatísticas de agressões psicológicas, físicas, tentativas de feminicídio, feminicídio e outras violações dos que nos quererem impor um lugar que já nos sufoca numa história de tantas discriminações. O direito das mulheres é parte dos direitos humanos, ditos como universalistas.
O que queremos dizer às mulheres é que se unam, que faça valer a sororidade, a fraternidade, a compaixão. Que tenham consciência do que está acontecendo ao nosso redor mesmo que não atinja pessoas próximas neste momento. Para que nossas descendentes não sejam as próximas vitimas, a hora de aumentarmos ações que possam levar à reflexão e ações para dar sentido maior às nossas vidas é agora.
A transformação desta situação – que está, antes de tudo, em muitos lares – nunca partirá de quem oprime porque o opressor tem em si – arraigado – os ditames do machismo. A mudança começa por quem está incomodado. Sendo assim, deve ser nossa. É reivindicando igualdade de direitos que vamos transformar esta cultura que nos oprime.
Estamos vulneráveis por falta de quórum. Falta participação maciça de nós, mulheres, neste processo. Precisamos acordar e nos unir até que a cultura de que a mulher é um ser de segunda categoria seja substituída na prática por condutas de igualdade de direitos e que, em um breve tempo, possamos contar esta história: houve um período na humanidade, que durou séculos, em que a mulher não era considerada um ser independente como somos hoje. As mulheres tinham seus direitos violados simplesmente por serem mulheres. Seus corpos eram para procriar e servir ao homem e suas vontades. Mas isso é passado! As mulheres conseguiram vencer.
Precisamos mostrar que somos capazes, que temos muito a contribuir com a transformação da humanidade. Enquanto não alcançarmos esta realidade, a sociedade segue doente. Somos intuitivas e o mundo precisa nos escutar. Liberdade e voz, espaço para nós crescermos e nos aliarmos, a todos os gêneros, no propósito de crescimento coletivo. “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”, assim está disposto no primeiro inciso do art. 5º da Constituição Federal do Brasil.
E como isso muda? Através da mudança de consciência de cada mulher, cada uma tornando-se guardiã de si e de todas as todas as mulheres. E assim, com nossa liberdade assegurada, assumir, coletivamente, nosso propósito maior no planeta: fortalecer os aspectos femininos expressos na compaixão, no amor incondicional, na intuição, na interação com a natureza buscando harmonia com o masculino. Vencendo as distorções de hoje, poderemos nos voltar para atividades que, de fato, elevem a humanidade como expressão das nossas conquistas. Há muito o que fazer. Vamos arregaçar as mangas e agir para que possamos, não só no dia e mês da mulher, celebrar nossas conquistas e bem-estar.
*Maria Amélia Martins é terapeuta, escritora, palestrante e idealizadora do Projeto Mulheres São Valiosas.
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