Mercado reprova Lula, diz colunista

    Apoio ao presidente e ao ministro da Economia, Fernando Haddad, caiu mais um pouco

    Foto: Ricardo Stuckert/ PR

    A relação do governo Lula com o mercado piorou com o debate sobre a meta fiscal. Segundo a colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, a mais recente pesquisa Genial/Quaest ouvindo agentes do mercado financeiro mostra que 39% acham que o ministro Fernando Haddad ficou mais fraco depois da polêmica, e só 12% acham que ele ficou mais forte. Há uma unanimidade em torno da questão. Ninguém acha que o governo cumprirá o déficit zero no ano que vem. O número encontrado pela pesquisa junto a cem representantes de fundos de investimento do Rio e de São Paulo é redondo: 100% acham que a meta não será cumprida.

    O apoio ao presidente e ao ministro Fernando Haddad caiu mais um pouco: passou de 47%, em setembro, para 52% agora os que fazem avaliação negativa de Lula. A positiva caiu de 12% para 9%. A avaliação positiva do ministro Fernando Haddad, que já foi 65%, caiu para 46% em setembro e agora está em 43%.
    Em março, data da primeira pesquisa, 73% achavam que havia risco de o país ter recessão em 2023 e 27% apenas achavam que não haveria recessão. Agora é o oposto, apenas 27% acham que pode haver recessão e 73% acham que não haverá encolhimento da economia.

    A maioria, 51%, acha que o PIB crescerá menos de 3%. Só que no começo do ano o mercado apostava em pouco mais de 0,5%. Mas 67% deles atribuem o crescimento, que surpreendeu a todos, a “medidas anteriores”. Só 5% acham que é resultado do governo atual e 28% atribuem ao cenário internacional.

    Mercado tem saudades de Bolsonaro

    Segundo a colunista, o mercado financeiro ainda tem saudades do governo Bolsonaro. Nada menos que 80% acham que a equipe econômica do governo anterior era melhor do que a atual. Só 8% veem a equipe de Haddad melhor do que a de Paulo Guedes. Os gestores financeiros aparentemente se esqueceram que Guedes e seu time não “entregaram”, para usar uma palavra que eles gostam, o programa.

    Não houve o alardeado “um trilhão de privatização”. Foi vendida apenas a Eletrobras, na undécima hora, e usando o modelo feito no governo Temer. Não foi feita a liberalização da economia. Não foi aprovada a Reforma Tributária, que só agora, no governo Lula, andou. O teto de gastos foi furado muitas vezes e houve pedalada nos precatórios. Se eles administram recursos alheios de forma tão enviesada quanto fazem suas avaliações políticas, os poupadores brasileiros estão perdidos.

    Na pergunta da expectativa para a economia dos próximos 12 meses, 55% acham que vai piorar. No começo do ano esse número chegou a 78%, caiu para 21% em julho, e agora o grupo dos pessimistas voltou a ser maioria. O mercado sempre achou que a política econômica está na direção errada: 73% agora dizem isso, mas no começo do ano chegou a ser 98%. Em julho essa desaprovação havia caído para 53%. Agora voltou a subir.