Movimentação pré-IPO da Shein encontra obstáculos na Europa

    Excesso de capacidade chinesa em veículos elétricos para neutralizar Shein no país

    Foto: Bloomberg Línea

    À medida que a varejista online de fast-fashion Shein intensifica a sua movimentação pré-IPO no Reino Unido, a resistência também cresce por parte do setor e dos parlamentares na Europa, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Enquanto cidadãos de 27 países votavam nas eleições da União Europeia, os fabricantes europeus de tecidos, roupas, artigos de couro e sapatos apelaram esta semana aos futuros líderes políticos do bloco para protegerem o 1,5 1,5ilhão de empregos no setor contra produtos de baixo custo que são “despejados” no mercado.

    Com a política industrial sendo uma questão fundamental nas eleições, os fabricantes de vestuário, varejistas e empresas de comércio eletrônico estão tentando colocar nas agendas roupas, acessórios e gadgets baratos provenientes da China, invocando a mesma linguagem usada pelos responsáveis da UE sobre o excesso de capacidade chinesa em veículos elétricos.

    As indústrias têxteis, de calçado e de couro na Europa – sede dos gigantes de fast-fashion Zara e H&M, bem como das maiores marcas de luxo do mundo – têm um volume de negócios anual combinado de mais de 200 bilhões de euros.

    As pequenas ou médias empresas representam 99% das companhias do setor, o que as deixa vulneráveis à concorrência global “feroz”, afirmaram os grupos industriais num comunicado conjunto.

    A associação de comércio eletrônico da Polônia argumentou num relatório que os subsídios estatais chineses estão dando aos marketplaces online como a Shein, que envia t-shirts de US$ 5, calças jeans de US$ 15 e brincos de US$1 da China diretamente para clientes em todo o mundo, uma vantagem injusta sobre os rivais europeus.“Não há verdade na alegação de que os subsídios estatais chineses ajudam a apoiar os negócios da Shein e a sua expansão em todo o mundo”, disse um porta-voz da Shein.

    A maioria dos produtos que a Shein vende é fabricada no sul da China, mas a empresa vem construindo uma base de fornecedores no Brasil e na Turquia. “Esperamos que os nossos parceiros da cadeia de abastecimento turca nos apoiem cada vez mais no atendimento ao mercado europeu”, disse o porta-voz.

    A Shein também está trabalhando para melhorar a sua imagem em França, onde os parlamentares da câmara baixa do Parlamento aprovaram, em março, um projeto de lei que visa sanções aos produtos de fast fashion para compensar o seu impacto ambiental.