Novo CEO da Tok & Stok: carta branca para ‘arrumar a casa’ e cortar custos

    Tok & Stok possui atualmente 50 lojas físicas em 21 estados e no Distrito Federal, duas menos do que foi informado em janeiro

    Foto: Reprodução/Google Street View

    O gigante global de private equity Carlyle espera ampliar a rentabilidade e os níveis de eficiência da Tok & Stok, maior varejista de móveis e decoração do Brasil, com o mandato de reestruturação concedido ao novo CEO da companhia, segundo uma pessoa familiarizada com a situação ouvida pelo portal da Bloomberg Línea.

    O executivo Guilherme Santa Clara, que gerenciou a crise na Forever 21 no Brasil em 2022, assumiu na última quinta-feira (18) o cargo de CEO da Tok&Stok, depois que a cofundadora, Ghislaine Dubrule, foi destituída pelo Carlyle em reunião do conselho de administração na última semana.

    Ghislaine ocupava a função havia cerca de um ano, após um aporte de R$ 100 milhões feito pelo acionista controlador e uma renegociação da dívida de cerca de R$ 350 milhões com bancos, que envolveu o alongamento dos prazos de pagamento com carência de dois anos. A dívida hoje está na casa de R$ 650 milhões.

    O Carlyle detém 60% da Tok & Stok, enquanto o restante está nas mãos da família Dubrule.

    Santa Clara recebeu carta branca para promover mudanças que resultem em melhora significativa do Ebitda (geração de caixa operacional) da companhia, o que pode incluir medidas de cortes de custos, como o fechamento de lojas deficitárias e otimização de despesas, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada ao tratar de assuntos privados.

    A Tok & Stok possui atualmente 50 lojas físicas em 21 estados e no Distrito Federal, duas a menos do que o informado em janeiro.

    O estado de São Paulo concentra o maior número de pontos de venda (18), seguido de Rio de Janeiro (5), Paraná (3), Santa Catarina (3), Rio Grande do Sul (2), Distrito Federal (2) e Bahia (2). Em seu auge, a rede teve mais de 60 unidades. No ano passado, fechou 17 lojas.

    Os planos do Carlyle, fato conhecido do mercado já há alguns anos, é se desfazer de sua participação acionária detida na Tok & Stok – desta vez por meio de um potencial M&A –, mas essa estratégia de desinvestimento passa também pela melhora do resultado da companhia.

    No mercado, a Mobly (MBLY3), empresa que tem uma das maiores plataformas digitais de vendas de móveis e artigos de decoração, é apontada há alguns anos como a candidata mais provável, dada as sinergias esperadas e a complementaridade dos modelos de negócios e dos públicos atendidos, mas há obstáculos recorrentes nas negociações, como a dívida da Tok&Stok e os termos de troca de capital.

    Na sede da Tok & Stok, em um condomínio empresarial na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, o clima entre as equipes é de apreensão sobre os rumos da companhia.

    Segundo a fonte, Dubrule foi destituída por supostamente não comprovar com resultados o perfil necessário para tocar uma empresa em situação de estresse financeiro e operacional — sob sua gestão, as vendas e os indicadores de modo geral não teriam atingido um ponto de inflexão esperado pelo controlador.

    A estratégia da cofundadora consistia em melhorar o resultado e alcançar a geração de caixa operacional com o reforço da operação física e de despesas com marketing e o lançamento de novos produtos, em detrimento do e-commerce, que tratava como um detrator da rentabilidade devido aos preços promocionais.

    Em dezembro passado, em entrevista à Bloomberg Línea, Ghislaine Dubrule atribuiu ao aumento do Capex (investimento) na plataforma para venda online em anos recentes a principal causa da crise financeira que a Tok & Stok atravessa, que chegou a incluir um pedido de falência por um fornecedor de tecnologia em 2023.

    Segundo outras fontes do mercado de móveis e decoração, no entanto, mais do que a finalidade – o fortalecimento da operação digital –, o que esteve na raiz da crise financeira foi a execução agressiva e ineficaz da estratégia, sob responsabilidade de alguns dos CEOs que passaram pela companhia.

    A empresária francesa, que fundou a companhia com o marido Régis em 1978, defende, por outro lado, a tese de que as vendas pela internet não tenham participação relevante nas receitas – chegaram a 17% do total no fim de 2023, distantes dos 45% esperados pelo Carlyle quando deu sinal verde para a transformação digital há alguns anos, antes da pandemia, de olho também em uma saída por meio de um IPO (oferta pública inicial).

    O plano que o novo CEO pretende executar na rede de móveis ainda não está finalizado, segundo a fonte. Ele terá que apresentar as medidas para o conselho de administração, ao qual caberá decidir sobre as iniciativas.