Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 03/11/2025 às 10h42.
Morre Lô Borges, aos 73 anos, um dos nomes mais influentes da música brasileira
Parceiro de Milton Nascimento e fundador do Clube da Esquina, o mineiro deixa um legado eterno de poesia, melodia e invenção
João Lucas Dantas

O cantor, compositor e multi-instrumentista, Lô Borges, um dos nomes mais importantes da música brasileira, morreu, aos 73 anos, em Belo Horizonte. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (3) pela família do artista.
O músico estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o dia 17 de outubro, após sofrer uma intoxicação por medicamentos. Durante o período de internação, precisou de ventilação mecânica e, em 25 de outubro, passou por uma traqueostomia.
Parceiro de longa data de Milton Nascimento, Lô foi um dos fundadores do Clube da Esquina, movimento que marcou a história da MPB. O mineiro deixa um legado de canções inesquecíveis, entre elas “Um girassol da cor do seu cabelo”, “O trem azul” e “Paisagem da janela”.
As esquinas musicais de Lô Borges
Nascido em Belo Horizonte, ele foi o sexto dos 11 filhos do casal Maricota e Salomão Borges. Ainda adolescente, reunia-se nas esquinas do bairro Santa Tereza para tocar violão com amigos e discutir Beatles e MPB.
Aos 18 anos, foi convidado por Milton Nascimento para ir ao Rio de Janeiro e gravar com ele. Já tinham composições em parceria, como o “Clube da Esquina” e “Para Lennon e McCartney” no álbum Milton (1970).
Nesse período fundou com Milton, Beto Guedes e outros colegas mineiros o movimento Clube da Esquina, que revolucionou a MPB ao misturar elementos de rock, jazz, folk e música erudita.

Foto: Reprodução/ Redes sociais
Trajetória profissional
Em 1972, com apenas 20 anos, teve papel central no clássico álbum duplo Clube da Esquina (1972), gravado com Milton Nascimento, considerado um dos melhores discos da história da música brasileira.
No mesmo ano lançou seu primeiro álbum solo, o autointitulado Lô Borges (o famoso “Disco do Tênis”, pela foto dos tênis na capa). Depois de lançá-lo, fez uma longa viagem pelo Brasil (foi para Porto Alegre de ônibus e depois até Arembepe/BA de carona), adotou estilo de vida hippie e só retornou a Belo Horizonte meses depois.
Aos poucos voltou a gravar. Participou do Clube da Esquina 2 (1978) e, em 1979, lançou o álbum A Via Láctea, com composições marcantes como “Equatorial” (com Beto Guedes e Márcio Borges, seu irmão) e “Vento de Maio” (letra de Telo Borges).
Nas décadas de 1980 e 1990 lançou apenas mais quatro discos, mantendo-se discreto. Sua carreira ganhou novo fôlego no início dos anos 2000, quando Skank gravou “Dois Rios” (2003), parceria sua com Samuel Rosa e Nando Reis, tornando-se um sucesso nacional. Em 2006 lançou o álbum Um Dia e Meio, encerrando um hiato de sete anos sem inéditas.
No fim dos anos 2000 e 2010, Lô retomou intensa atividade. Em 2011 saiu Horizonte Vertical, com participações de Milton Nascimento, Samuel Rosa e Fernanda Takai (Pato Fu), e letras de Nando Reis, Márcio Borges etc.
Em 2016 lançou, com Samuel Rosa, o DVD/CD ao vivo Samuel Rosa & Lô Borges – Ao Vivo no Cine Theatro Brasil, e em 2017 fez turnê tocando o “Disco do Tênis” na íntegra. Em 2019 lançou Rio da Lua, em parceria com o amigo de longa data Nelson Ângelo (ex-Companhia das Letras), retomando uma colaboração antiga.
Nos anos seguintes vieram os álbuns Dínamo (2020, com letras de Makely Ka) e Muito Além do Fim (2021, retomando parceria com o irmão Márcio e participação de Paulinho Moska).

Impacto cultural e legado
Lô Borges é amplamente considerado um dos compositores mais influentes da música brasileira. Suas canções viraram clássicos da MPB, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “Paisagem da Janela”, “Feira Moderna” e outras fazem parte do repertório de gerações de ouvintes.
Grandes nomes da música gravaram suas canções, como o próprio Milton Nascimento, Elis Regina, Tom Jobim (que fez versão em inglês de “O Trem Azul”), Samuel Rosa (Skank), Beto Guedes, Lobão, Nando Reis, Caetano Veloso, entre outros.
A mistura de gêneros do Clube da Esquina foi vista como uma “revolução musical”, inspirando artistas brasileiros e estrangeiros. Em 2018, por exemplo, Alex Turner (Arctic Monkeys) citou o verso de Lô “Aos Barões” como influência na criação de seu álbum Tranquility Base Hotel & Casino.
Até 2025, acumulava cerca de 500 mil ouvintes mensais no Spotify, evidenciando o alcance de seu legado.
Lô Borges partiu como quem encerra um acorde suspendendo no ar a beleza de uma última nota, mas seu som, banhado de de esquinas, trilhos e girassóis, continuará ressoando pelas janelas da memória brasileira.
Seu legado irá ecoar nas vozes que ainda cantam o “Trem Azul” e floresce no coração de quem já se emocionou com um girassol da cor do amor. Como as melodias que atravessam o tempo sem pedir licença, Lô nos deixa o silêncio de um adeus.
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