Publicado em 28/02/2026 às 20h47.

Ceni desabafa sobre vaias na Fonte Nova e critica: ‘Não vai ajudar o time’

Treinador diz que ambiente no estádio pesou mais que o jogo e vê protestos como obstáculo ao Bahia

Rodrigo Fernandes
Foto: Letícia Martins / EC Bahia

 

A classificação do Bahia para a final do Campeonato Baiano não foi suficiente para aliviar o clima na Arena Fonte Nova. Mesmo após a vitória por 4 a 2 sobre o Juazeirense, Rogério Ceni dedicou boa parte da coletiva para tratar do ambiente de pressão criado pelas vaias, reflexo direto da eliminação na Libertadores.

Para o treinador, o cenário nas arquibancadas foi mais desafiador do que o próprio confronto em campo.

“O fato de vaia do começo ao fim, o torcedor paga ingresso. Mas é contraproducente independente do sentimento de tristeza, raiva. O atleta também sofre. O jogador que perde pênalti, quem comete o erro. Nós, infelizmente, perdemos um jogo, e isso ocasionou a eliminação. É um direito do torcedor, paga o seu ingresso. Ficou chateado, nós também ficamos”, afirmou.

“O torcedor tem todo direito de se manifestar, mas não é isso que vai ajudar o time nesse momento difícil”, acrescentou.

“Eu entendo perfeitamente a tristeza do torcedor, que queria ver o Bahia seguindo na Libertadores. Infelizmente acontece. Você tem que tentar seguir. Tem que tentar elevar o percentual de pontos, tentar ser campeão baiano, vencer clássicos”.

Ceni explicou também por que manteve a base da equipe, mesmo após a queda precoce no torneio continental. No Baianão, uma equipe alternativa vinha sendo utilizada pelo treinador na maioria dos jogos.

“Viemos com mesmo time porque não temos jogo no meio de semana. Também porque seria injusto tirar um ou outro jogador pelo fato de não ter conseguido a classificação. Eles precisavam encarar de frente a situação que nós deixamos acontecer por não conseguir o resultado, que era a nossa obrigação”, disse.

“Todos eles estavam bem abatidos, tristes. Hoje fizemos o placar. Infelizmente, às vezes, a gente desconecta do jogo. A vaia de hoje vem do último confronto. Imagine você ser vaiado o tempo todo. Também tira a concentração do jogador”, declarou.

Apesar da vantagem construída, o Bahia voltou a sofrer gols e permitiu reação do adversário em determinados momentos.

“A maioria dos gols que a gente sofre são por erros nossos. É um time que propõe jogo o tempo todo. E quando começa o cansaço, a distância entre a linha de passe começa maior. Quando está fresco no jogo, você está mais próximo para conectar o passe”.

“Foi assim o erro contra o O’Higgins e os dois gols de hoje. Esse cansaço, espaçamento, acaba oferecendo erros ao adversário. Tudo isso além das trocas, o que muda a característica do jogo. Tudo isso vai ao encontro das vaias. Os gols que sofremos são mais falhas nossas que mérito do adversário”, completou Ceni.

Classificado, o Bahia agora aguarda o vencedor de Vitória e Jacuipense para conhecer o adversário da final do Baianão de 2026, que será disputada no próximo fim de semana, em jogo único, com mando tricolor por ter feito a melhor campanha geral.

Rodrigo Fernandes
Jornalista, repórter e produtor de conteúdo. Com experiência em redação e marketing digital, faz cobertura de Esportes no bahia.ba. Antes disso, foi editor do In Magazine – Portal iG e repórter do Portal M! – Muita Informação.

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