Socorro Acioli defende literatura nacional e celebra sucesso de ‘A Cabeça do Santo’
Escritora cearense analisa superação do rótulo de ‘literatura regional’ em entrevista ao bahia.ba na Bienal da Bahia neste sábado (18)

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba durante a Bienal Internacional do Livro da Bahia, a escritora e jornalista Socorro Acioli refletiu sobre a evolução do mercado editorial e a desconstrução do rótulo de “literatura regional”, termo frequentemente usado em relação a autores do Nordeste, frente ao que é considerado “literatura brasileira”, geralmente associada ao eixo Rio-São Paulo. Segundo ela, para combater essa discriminação “o público leitor tem dado a melhor resposta possível” nas livrarias e feiras literárias do Brasil inteiro.
“Muita coisa escrita por mulheres, por mulheres negras, por autores negros. O público tem dado uma resposta muito positiva para derrubar esse preconceito. Eu ainda sinto, não vou dizer que ainda não acontece, mas eu confesso que eu não me importo”, disse a autora antes de participar de um painel sobre os 40 anos da Companhia das Letras neste sábado (18) no Centro de Convenções de Salvador, no espaço Arena Farol.
A autora relembrou que sua obra A Cabeça do Santo foi encaixada nessa categoria por críticos literários. “Quando o ‘Cabeça do Santo’ foi lançado, uma das críticas negativas que eu ouvi foi essa, que era um retorno para o romance de 1930 do Nordeste, que era mais um livro regional. O tempo passou e hoje o que mais se fala é de ser um livro brasileiro”, afirmou.
O fenômeno de ‘A Cabeça do Santo’
Mesmo lançado há mais de uma década, em 2014, A Cabeça do Santo vive um momento de ápice comercial e cultural, inclusive com a confirmação de que será enredo da Unidos da Tijuca no Carnaval do Rio de Janeiro no próximo ano.
Socorro confessou não ter uma explicação para o sucesso nas vendas da obra, mas atribuiu parte do fenômeno à força recente da literatura nacional, citando como exemplo livro do autor baiano Itamar Vieira Junior. “Muitos de nós autores brasileiros fomos beneficiados com essa força que o Torto Arado trouxe para a literatura nacional”, explicou. A autora destacou que o livro é um “objeto vivo” e que a relação com os leitores se modifica com o tempo.
“Eu recebi uma crítica devastadora logo de cara. Isso ensina que a gente às vezes precisa de paciência, que o tempo que a gente quer não é o tempo em que as coisas vão acontecer”, afirmou.
Conselhos para novas escritoras
Aos novos nomes da literatura, especialmente mulheres nordestinas, Acioli recomendou focar na leitura, na clareza de propósitos e entender o cenário literário contemporâneo antes de ansiar por premiações.
“Muita paciência, porque as coisas na no mundo literário são lentas, e muita clareza do que se quer. Escrever e concluir um livro é muito mais importante do que muitas outras coisas que as pessoas acham que são importantes, como prêmio e sucesso”, afirmou.
Ela revelou estar no processo de finalização de um novo título e reforçou que “botar a história no papel é muito mais importante do que as outras coisas que vão vir depois”.
Indicações de leitura
Ao final, a autora de Oração para Desaparecer sugeriu três leituras que dialogam com a estética de sua obra:
– Contos, de Murilo Rubião;
– A Estranha Máquina Extraviada, de José J. Veiga;
– Os Malaquias, de Andréa del Fuego.
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