Curso de alfabetização de adultos registra avanços e muda rotina de alunos em Salvador

    Iniciativa gratuita tem ajudado jovens, adultos e idosos a dar os primeiros passos na leitura e escrita

    Foto: Divulgação

    No Dia Nacional da Educação, celebrado nesta terça-feira (28), iniciativas voltadas à alfabetização de adultos chamam atenção pelos impactos diretos na vida de quem não teve acesso à escola na infância. Em Salvador, o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, realizado no Centro Universitário Estácio Salvador, tem possibilitado que alunos com pouca ou nenhuma escolarização comecem a ler e escrever.

    A proposta atende pessoas em diferentes faixas etárias e, em poucos meses de aula, já apresenta resultados básicos, mas significativos. Entre os avanços relatados estão o reconhecimento de letras, a escrita do próprio nome e maior autonomia em atividades do dia a dia.

    Para muitos participantes, o aprendizado vai além da sala de aula. Situações simples, como identificar informações em documentos, ler placas ou utilizar o celular, passam a fazer parte da rotina com mais independência.

    A doméstica Josenilda Guedes, de 60 anos, é uma das alunas. Sem acesso à escola na infância, ela conta que dependia de outras pessoas para tarefas cotidianas. “Agora não assino mais com o dedo. Não sabia nada. Agora já escrevo o meu nome”, afirma. Segundo ela, a experiência tem motivado outros familiares a retomarem os estudos.

    Os efeitos também são percebidos nas relações sociais e no ambiente de trabalho. Alguns alunos relatam aumento da confiança e demonstram interesse em seguir na Educação de Jovens e Adultos para continuar a formação.

    Casos como o de Rubens Florêncio, de 70 anos, mostram esse movimento. Ele decidiu se matricular após acompanhar a companheira. “Eu cheguei com ela para fazer a matrícula e o professor explicou que também seria bom para mim. Um ajuda o outro”, relata. Ele diz que deixou os estudos ainda jovem para trabalhar na roça.

    O programa é gratuito e voltado para pessoas que não concluíram a educação básica ou enfrentam dificuldades com leitura e escrita. As aulas acontecem na unidade da Estácio, no bairro do Stiep.

    Criada em 2018, a iniciativa já atendeu milhares de alunos em diferentes estados do país e busca ampliar o acesso à alfabetização em regiões com maior vulnerabilidade social.