Publicado em 07/05/2026 às 20h14.

Hilton Coelho defende transparência no transporte e cita tarifa zero como saída para crise

Parlamentar defende legitimidade do movimento dos trabalhadores do transporte público e levanta debate sobre desenho das linhas de ônibus na capital

Otávio Queiroz / Luana Neiva
Foto: Luana Neiva/bahia.ba

 

A iminência de uma paralisação de 24 horas e a sinalização de uma greve geral por parte dos rodoviários de Salvador colocaram novamente em xeque o modelo de transporte público da capital. Em conversa exclusiva com o bahia.ba, o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) afirmou que o setor vive uma crise profunda que só poderá ser enfrentada com “transparência radical”.

Para o parlamentar, as planilhas que definem o valor das tarifas permanecem inacessíveis ao controle social. “Isso permanece como um baú fechado na mão dos grandes empresários e a população não consegue saber quais são as reais contas do transporte coletivo na cidade de Salvador”, disparou o deputado, relembrando projetos de sua autoria, desde a época em que era vereador, que visavam a democratização desses dados.

Especulação imobiliária e interesse público

Hilton Coelho também levantou um debate técnico sobre o desenho das linhas de ônibus na capital. Segundo ele, os roteiros atuais são influenciados por interesses da especulação imobiliária em detrimento das áreas mais densamente povoadas.

“Os maiores especialistas dizem que o maior motivador da definição das linhas é justamente não ter povo. É mais importante para os donos das linhas induzir o transporte para áreas de especulação do que para áreas densas, para servir ao grosso da população”, explicou.

De acordo com o deputado, essas tensões estruturais acabam sendo transferidas para o trabalhador rodoviário e para o usuário, tornando o sistema menos viável e precarizando as relações de trabalho.

Legitimidade da greve e Tarifa Zero

Sobre a mobilização dos rodoviários, que pleiteiam reajuste de 5% acima da inflação, ticket-alimentação e jornada de seis horas, Hilton Coelho foi enfático ao defender a legitimidade do movimento.

“O trabalhador não tem obrigação de receber qualquer salário ou estar submetido a qualquer condição de trabalho. Ele tem toda a legitimidade de se mobilizar”, pontuou.

Como solução de longo prazo, o deputado defende a implementação da Tarifa Zero, modelo já adotado em mais de 150 cidades brasileiras.

“Está na hora de Salvador dizer que transporte coletivo é coisa séria. É possível, com o apoio do governo federal, fazer o manejo das contas e implementar o passe livre. Mas para isso é preciso ter estudos induzidos pelo poder público. Disso depende a vida do nosso povo”, concluiu.

Cenário de paralisação

A categoria dos rodoviários já deu início a protestos nesta quinta-feira (7), com atrasos na saída de veículos e a chamada “Operação Tartaruga”. Caso não haja avanço nas negociações com o sindicato patronal, a capital baiana poderá enfrentar uma paralisação total de 24 horas na próxima semana, servindo como advertência para uma greve por tempo indeterminado.

Otávio Queiroz
Soteropolitano com 7 anos de experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa. Aqui, eu falo sobre Cidades e Cotidiano.

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