Tribuna na Câmara de Salvador reúne cobranças por políticas públicas para população LGBTQIA+

    Tribuna Popular da 28ª Sessão Ordinária foi dedicada exclusivamente ao tema e reuniu estudantes, ativistas

    Foto: Paulo M Azevedo

    A sessão ordinária da Câmara Municipal de Salvador desta segunda-feira (18) foi marcada por cobranças de representantes da população LGBTQIA+ por políticas públicas voltadas à segurança, saúde, educação e combate à transfobia. A Tribuna Popular da 28ª Sessão Ordinária foi dedicada exclusivamente ao tema e reuniu estudantes, ativistas e parlamentares no plenário da Casa.

    Presidida pelo vereador Claudio Tinoco, a sessão teve como foco denúncias sobre violência e exclusão social enfrentadas pela comunidade na capital baiana.

    Representante do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades da Bahia (Ibrant-BA), o estudante da Ufba Joan Ravir dos Santos afirmou que Salvador lidera o ranking nacional de mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em números absolutos, com 14 casos registrados, segundo levantamentos citados durante o debate.

    “Nós estamos morrendo. Não falta apenas segurança: falta iluminação, falta saúde, qualificação e trabalho”, declarou.

    Também estudante da Ufba, Alana Carvalho relatou ter sido vítima de violência e defendeu ampliação das políticas públicas para mulheres trans e travestis. “Eu, por exemplo, fui vítima de tentativa de transfeminicídio e isso precisa acabar. Nosso direito de viver não pode ser exterminado”, afirmou.

    Ela também pediu investimentos em educação e ações de permanência estudantil para reduzir a evasão escolar. “Sou a favor da permanência escolar com bolsa-auxílio para enfrentar a evasão, pondo fim ao retrocesso”, completou.

    Durante a sessão, a presidente da Organização da Sociedade Civil LGBT+ e da Coalizão Unificada pela Igualdade, Diversidade e Autonomia LGBT+ da Bahia, Tiffany Odara, criticou a sanção de uma lei municipal que proíbe a exposição, afixação ou distribuição de materiais relacionados à identidade de gênero para crianças em escolas e unidades de saúde da rede pública.

    Vereadores da oposição também se manifestaram em apoio às reivindicações apresentadas na tribuna. A vereadora Marta Rodrigues afirmou que “a Casa é do povo” e defendeu o respeito ao nome social e às políticas de inclusão.

    Já Aladilce Souza e Sílvio Humberto defenderam o fortalecimento de iniciativas voltadas à população LGBTQIA+, enquanto Hamilton Assis pediu união em torno de ações que fortaleçam a democracia e deem voz à “luta histórica” da comunidade.