Publicado em 24/05/2026 às 16h00.

Pesquisa mostra impactos da crise climática na rotina em Salvador

Levantamento aponta alta no custo de vida e problemas de saúde entre moradores

Marcos Flávio Nascimento
Agência Brasil

Moradores de Salvador já sentem no cotidiano os efeitos das mudanças climáticas. É o que revela a pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa, divulgada parcialmente neste domingo (24), apontando que problemas financeiros, impactos na saúde e dificuldades de deslocamento estão entre as principais consequências percebidas pela população.

O estudo foi desenvolvido por equipes do Aurora Lab e da More in Common e será apresentado integralmente durante o encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”, marcado para a próxima quarta-feira (27), em São Paulo.

A capital baiana foi uma das nove cidades escolhidas para participar do levantamento sobre os efeitos da transição energética e da crise climática no Brasil.

Segundo os dados, 85% dos entrevistados afirmam já perceber mudanças relacionadas ao clima em suas vidas, enquanto 46% consideram que esses impactos são intensos.

Custo de vida e saúde lideram reclamações

Entre os principais problemas citados pelos moradores de Salvador e das demais capitais pesquisadas, o aumento no custo de vida aparece no topo da lista, mencionado por 53% dos participantes.

As dificuldades relacionadas à saúde física foram apontadas por 45% dos entrevistados. Já os obstáculos para chegar ao trabalho somaram 40% das respostas.

O levantamento também identificou reflexos na saúde mental da população. Cerca de 32% afirmaram sofrer algum tipo de adoecimento emocional relacionado aos impactos climáticos.

Outros efeitos mencionados incluem perda de renda (17%) e perda de emprego (10%).

Brasileiros defendem mudanças no modelo de consumo

A pesquisa mostra ainda que a maior parte da população acredita na necessidade de transformação dos atuais modelos de produção e consumo para enfrentar a crise climática.

Ao todo, 93% concordam que mudanças estruturais são necessárias, sendo que 74% disseram concordar totalmente com essa afirmação.

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a confiança depositada no poder público. Cerca de 67% dos entrevistados acreditam que o governo deve liderar ações de proteção aos trabalhadores diante dos impactos climáticos.

Além disso, 67% avaliam que a transição para energias limpas pode gerar mais empregos e oportunidades para a população.

Ciência segue como principal fonte confiável

Mesmo em meio à disseminação de fake news, universidades e cientistas continuam sendo as fontes mais confiáveis sobre clima para 69% dos entrevistados.

As redes sociais, porém, aparecem como principal meio de acesso às informações sobre mudanças climáticas para 65% da população.

O estudo ouviu pessoas com 16 anos ou mais entre maio e setembro de 2025 em nove capitais brasileiras: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Marcos Flávio Nascimento
Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba e Portal Esfera.

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